Fotógrafo mostra cotidiano de índios do Parque Nacional do Xingu, no MT

Xingu (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Criança indígena salta de árvore dentro do Rio Xingu, no Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Aldeia indígena Yawalapiti é uma das 14 instaladas na área.
Voo detectou desmatamento próximo à região de preservação ambiental.

O fotógrafo da Reuters, Ueslei Marcelino, permaneceu por alguns dias deste mês na aldeia indígena Yawalapiti, uma das 14 etnias que vivem no interior do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso. As imagens foram divulgadas nesta terça-feira (15).

As fotos mostram o cotidiano da aldeia. Em agosto, os Yawalapiti, juntamente com outras aldeias, realizam o ritual Kuarup, que ocorre durante vários dias para honrar a morte de pessoas de grande importância para eles.

Originalmente, o Kuarup era apenas um ritual fúnebre com a intenção de trazer os mortos de volta à vida. Mas hoje, é uma celebração da vida, morte e renascimento. Neste ano, os Yawalapiti vão prestar uma homenagem a um importante índio da etnia e a Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro conhecido por focar a relação dos povos indígenas e a educação no país.

15/05/2012 17h24 – Atualizado em 15/05/2012 17h24

Fotógrafo mostra cotidiano de índios do Parque Nacional do Xingu, no MT

Aldeia indígena Yawalapiti é uma das 14 instaladas na área.
Voo detectou desmatamento próximo à região de preservação ambiental.

Do Globo Natureza, em São Paulo

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O fotógrafo da Reuters, Ueslei Marcelino, permaneceu por alguns dias deste mês na aldeia indígena Yawalapiti, uma das 14 etnias que vivem no interior do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso. As imagens foram divulgadas nesta terça-feira (15).

As fotos mostram o cotidiano da aldeia. Em agosto, os Yawalapiti, juntamente com outras aldeias, realizam o ritual Kuarup, que ocorre durante vários dias para honrar a morte de pessoas de grande importância para eles.

Originalmente, o Kuarup era apenas um ritual fúnebre com a intenção de trazer os mortos de volta à vida. Mas hoje, é uma celebração da vida, morte e renascimento. Neste ano, os Yawalapiti vão prestar uma homenagem a um importante índio da etnia e a Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro conhecido por focar a relação dos povos indígenas e a educação no país.

Xingu1 (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Foto de 9 de maio mostra porção do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, que foi desmatada. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Xingu1 (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Homens da etnia Yawalapiti. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Xingu1 (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)Homem segura armadilha feita com timbó, uma planta que libera toxinas nas águas que paralisam os peixes, facilitando a pesca. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
Xingu1 (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)O chefe da etnia Yawalapiti, Anuia (à frente), lidera dança na aldeia. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

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Justiça dos EUA nega a Paulo Maluf suspensão de ordem de prisão

Paulo Salim Maluf – ex- prefeito e ex-governador de São Paulo

O ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf sofreu uma derrota na Suprema Corte de Nova York, nos Estados Unidos, que negou o pedido feito pelo deputado federal para suspender a ordem internacional de prisão contra ele. As informações são do SPTV.

Maluf está na lista de procurados da Interpol há mais de dois anos. As acusações são fraude, roubo e lavagem de dinheiro. Os advogados de Maluf entraram com ação na Justiça americana para tentar tirar o nome dele da lista de procurados da Interpol. A ordem de prisão vale nos 188 países membros Interpol, a polícia internacional.

A defesa de Maluf alegou que o ex-prefeito não cometeu crimes nos Estados Unidos. A Suprema Corte do Estado de Nova York, no entanto, entendeu que Maluf tem que ser julgado nos EUA, e, enquanto não se apresenta, vai continuar na condição de fugitivo da Justiça americana.

Em Nova York, Maluf é acusado de movimentar contas bancárias ilegais com dólares desviados de obras públicas de São Paulo. Ele também responde por gastar dinheiro de corrupção com leilões de obras de arte. Acusações que somam 25 anos de cadeia em caso de condenação. A Suprema Corte diz que Maluf não colabora com as investigações.

No Brasil, o deputado federal tem a lei ao lado dele, porque nenhum brasileiro nato pode ser extraditado. Caso saia do país por vontade própria, ele poderá ser preso.

Adílson Laranjeira, assessor de imprensa do deputado, disse que Maluf não tem conta no exterior e que não existe pedido para suspender a ordem internacional de prisão.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/04/justica-dos-eua-nega-paulo-maluf-suspensao-de-ordem-de-prisao.html

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Fifa ajudou a encerrar processo de suborno contra Havelange e Teixeira, diz promotor

O então presidente da Fifa, João Havelange, com seu então genro e presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em SP

Por que João Havelange e Ricardo Teixeira se livraram das acusações criminais na Justiça Suíça, após terem recebido US$ 15,6 milhões em propinas (apenas) entre agosto de 1992 e maio de 2000? Essa foi a grande dúvida dos membros do Comitê Europeu para Esportes e Ciência, durante a investigação da corrupção na Fifa, feita ao promotor suíço, Thomas Hildbrand, que denunciou os brasileiros.

A resposta do promotor está no relatório parcial divulgado pelos parlamentares europeus, esta semana.

A decisão do encerramento do caso contra os brasileiros se baseia no artigo 53 do Código Criminal da Suíça, “que trata de acordos feitos para reparação de danos”.

Por trás do livramento dos brasileiros acusados, há um acordo desenhado pela Fifa, no valor de R$ 6,2 milhões (R$ 5,1 milhões pagos por Teixeira e R$ 1,1 milhão pago por Havelange).

O promotor explicou: “Se o acusado (Havelange/Teixeira) reparou a perda, prejuízo ou ferimento causado (s) ou demonstrou esforço razoável para consertar o erro, a promotoria deve encerrar a ação criminal ou evitar levá-los a julgamento”.

Prevendo a dificuldade de compreensão por parte dos parlamentares europeus, Hildbrand avançou no código penal e citou o artigo 42, que também regula o chamado interesse público na condenação de um criminoso: “No caso de a pessoa ofendida se sentir reparada pelo acusado, o promotor público deverá encerrar o caso, por falta de necessidade de restauração de direito ferido”.

Há vários pontos de interesse na abordagem do promotor, começando pelo fato de os advogados que defenderam Ricardo Teixeira serem os mesmos que trabalham para a Fifa e Joseph Blatter, em Zurique.

O promotor estranhou e suspeitou dessa “proximidade de advogados” , mas seguiu com o acordo.

Em resposta aos parlamentares europeus, o promotor dividiu o argumento doutrinário em 32 parágrafos.

Por coincidência, 32 foi também o número de depósitos feitos nas contas das empresas Sanud, Garantie JH e Renford Investments Ltd usadas por Teixeira e Havelange somente em oito anos, para coletar cerca de R$ 27 milhões.

No total, estima-se que cerca de R$ 70 milhões em comissões teriam sido depositados em contas de outras empresas de fachada usadas no esquema.

O maior projeto de corrupção da história do futebol movimentou o equivalente a R$ 254 milhões entre 1989 e 1998, ano da saída de Havelange da presidência da Fifa.

ALGUMAS EMPRESAS ENVOLVIDAS EM SUBORNO, SEGUNDO JUSTIÇA SUÍÇA

Garantie JH

Sanud

Renford Invest

US$ 1,5 milhão

US$ 8,5 mihões

US$ 5,6 milhões

03/03/1997

de 16/02/93 a 28/11/97

de 23/06/1999 a 04/05/2000

Beleza US$ 1,5 milhão de 27/03/91 a 01/11/91
Ovada US$ 820 mil 22/01/1992
Wando US$ 1,8 mihão de 06/07/89 a 22/01/93
Sicuretta US$ 42,4 mihões de 25/09/89 a 24/03/99

A Fifa como acusada e vítima

O dilema de a Fifa ser acusada de gestão temerária de suas receitas e negócios (e também ser vítima do esquema que criou) forçou o ministério público a aceitar um acordo entre os brasileiros e a entidade. “Criou-se um nó jurídico”, defendeu-se.

“A Fifa era a terceira acusada no processo criminal em Zug por descuido administrativo”, explicou Hildbrand. “Em resposta a seus atos de má administração a entidade foi obrigada a depositar 2,5 milhões de francos suíços (R$ 5,17 milhões) na conta do Ministério Público. Esse dinheiro será usado em projetos sociais”.

O promotor destacou ainda que Joseph Blatter trabalhou pelo acordo por “saber das rotinas internas e do movimento das propinas”.

Isso talvez explique por que Joseph Batter teve um interesse especial no encerramento do caso, ao aceitar a devolução de apenas parte do dinheiro recebido ilegalmente pelos brasileiros.

“Não posso dizer que ele esteja envolvido na distribuição das propinas ou que tenha se beneficiado dos crimes, mas ele esteve na direção da Fifa como diretor técnico, secretário geral e presidente, desde o início dos problemas, nos anos 70”, comentou Hildbrand.

Perda de interesse na condenação

Para reforçar a doutrina penal suíça, o promotor também explicou que o interesse do “Ministério Público diminui na mesma proporção da reparação do dano causado contra qualquer vítima”.

“Se os danos são financeiros e se o crime aconteceu anos atrás, a necessidade de ação penal diminui com o passar do tempo”, finalizou Hildbrand.

Além disso, sem a parte ofendida, não pode haver ação criminal: “Foi exatamente o que aconteceu nesse caso com os acusados H  (Teixeira) e E (Havelange) e a Fifa”, explicou o promotor suíço, que manteve os nomes dos brasileiros sob sigilo em suas respostas.

A vinculação dos códigos (H e E) aos nomes das empresas dirigidas pelos brasileiros foi possível graças a um cruzamento de dados sigilosos, obtidos por UOL Esporte, em 2011.

O pagamento R$ 5,17 milhões ( 2,5 milhões de francos suíços)  foi aceito pela promotoria (a pedido da Fifa) para o encerramento do caso contra Ricardo Teixeira.

João Havelange,  continuou caminhando livre pelas ruas “por ser idoso e ter seus rendimentos reduzidos por pensão e aposentadoria” e por devolver o equivalente a R$ 1,03 milhão. O dinheiro foi depositado na conta de massa falida da empresa  International Sports Leisure (ISL), que saiu do mercado em 2001, deixando um rombo estimado em mais de R$ 320 milhões.

Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF e ao cargo de executivo da Fifa, em  março de 2012. Havelange renunciou a cargo vitalício no Comitê Olímpico Internacional, durante uma investigação por corrupção, em dezembro de 2011.

No último fim de semana, Havelange, que está internado há mais de 40 dias, no Rio de Janeiro, recebeu a visita surpresa de um velho aliado dos tempos de Fifa: Joseph Blatter, o presidente que o substituiu, em 1998.

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No aniversário de 52 anos, Brasília tem extensa programação

Opções não faltam para quem vai passar o aniversário de 52 anos de Brasília, comemorado neste sábado, dia 21, na capital federal. A partir das 7h, já será possível ver no céu da cidade 18 balões representando vários Estados brasileiros no penúltimo dia do 2º Festival Nacional de Balonismo do DF. O campeonato de vai acontecer até domingo, pela manhã, entre 7h30 e 9h30, e à tarde, entre 16h e 17h.

Para dar as boas vindas à Copa do Mundo, que será sediada no Brasil em 2014, um dos balões tem o formato de uma bola de futebol. Quem quiser pode aparecer na Esplanada dos Ministérios, de onde os balões vão partir, durante todo o dia para fazer os chamados voos cativos. Nesse caso, o balão fica preso ao chão por uma corda, mas sobe a uma altura de 50 m do chão. Os voos são feitos durante todo o dia e serão gratuitos.

A noite de sábado promete ser especial: os balonistas farão uma apresentação, a Night Glow, em que picapes vão desfilar pela Esplanada convidando o público para ver o show dos balões incandescentes. O show está marcado para as 20h.

Bienal do Livro

Pela primeira vez, Brasília vai sediar a Bienal Brasil do Livro, evento que surgiu da antiga Feira do Livro, realizada anualmente na cidade. O espaço, também montado na Esplanada dos Ministérios, tem 200 estandes e era palco para o lançamento de 200 livros, exibição de 20 filmes, 10 seminários, três exposições, entre outros. Para conhecer a programação, que se estenderá até segunda-feira, basta visitarwww.bienalbrasildolivro.com.br/programacao

Programação musical
Hoje e amanhã, os amantes da música poderão aproveitar shows de graça na Esplanada dos Ministérios. Hoje à noite, no palco principal, Seu Jorge e Capital Inicial tocam a partir das 23h. Amanhã será a vez de Dhi Ribeiro, Chico César e Caetano Veloso, em shows que ocorrem a partir das 21h. Já passaram pelo palco da festa os músicos Oswaldo Montenegro, Fernanda Takai e Nando Reis.

Carros antigos
Os amantes de antiguidades também têm lugar no aniversário da cidade. O Clube de Veículos Antigos de Brasília fará uma exposição exclusiva com carros nacionais clássicos que datam do início da construção da capital. A exposição será na sede do Clube do Carro Antigo de Brasília, no Museu Vivo da Memória Candanga, das 10hàs 15h30.

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Presidente Dilma usando óculos 3D vira brincadeira na internet

Durante visita a Confederação Nacional da Indústria, nesta sexta-feira, 13, em Brasília, a Presidente Dilma Rousseff se deixou fotografar usando um óculos 3D, no momento em que assistia um vídeo do programa de apoio à competitividade da indústria. A foto chamou tanta atenção dos internautas, que já está circulando pelo Facebook em tom de brincadeira



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Maioria do Supremo apoia interromper gravidez de anencéfalos; julgamento prossegue

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apoia a interrupção de gravidez de fetos anencéfalos, também chamada antecipação terapêutica do parto -foram sete manifestações favoráveis e uma contra. O voto decisivo foi dado nesta quinta-feira (12) pelo vice-presidente da Corte, Carlos Ayres Britto. Até a proclamação do resultado, os ministros podem rever suas decisões. Dois membros da mais alta corte do país ainda não se manifestaram sobre o assunto.

O julgamento havia sido suspenso ontem, com cinco ministros favoráveis à interrupção da gravidez nesses casos e apenas um contra, Ricardo Lewandoski. Vale lembrar que, caso se confirme a decisão favorável dos ministros sobre a interrupção da gravidez de anencéfalos, caberá a gestante decidir se leva a gestação adiante ou realiza a antecipação terapêutica do parto.

Para a maioria dos ministros, não há aborto no caso dos anencéfalos porque não há vida em potencial. Consequentemente, não há crime. O aborto é permitido apenas em casos de estupro e de risco à vida da gestante. Além de Ayres Britto, defenderam a tese o relator Marco Aurélio de Mello, Rosa Maria Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Cármen Lúcia, ontem, e Gilmar Mendes, nesta quinta.

Para o dissidente Lewandowski, a interrupção da gravidez de anencéfalos é aborto e não foi autorizada pelo Poder Legislativo, o que transformaria essa medida um crime. Entre os 11 ministros, apenas Dias Tóffoli não participa do julgamento, porque já tratou do caso quando era advogado-geral da União.

“[A interrupção da gravidez de anencéfalos] só é aborto em linguagem coloquial. Não é aborto em linguagem jurídica”, completou o vice-presidente da Corte. “Se todo aborto é uma interrupção de gravidez, nem toda interrupção de gravidez é um aborto para os fins penais”, disse o Ayres Britto.

“O crime deixa de existir se o deliberado desfazimento da gestão não é impeditivo da transformação desse organismo em uma pessoa humana”, disse Ayres Britto. O ministro ainda comparou os anencéfalos a “uma crisálida que jamais chegará ao estágio de borboleta”, porque “jamais alçará voo”.

Gilmar Mendes também chamou a interrupção de fetos anencéfalos de aborto, mas avaliou, diferentemente de Lewandowski, que o caso “está compreendido entre as duas clausulas excludentes da ilicitude”, ou seja, os dois motivos pelos quais o aborto é legal: estupro ou risco de vida da mãe. O ministro considerou o risco de vida da mãe, por acreditar que a gravidez de anencéfalo é torturante, por trazer problemas psicológicos e físicos, como outros ministros citaram. Mendes afirmou também que a saúde do feto não é a questão central, já que no caso do aborto por estupro essa possibilidade nem é levada em conta.

“A falta de um modelo institucional adequado contribui para essa verdadeira tortura física e psíquica, causando danos talvez indeléveis, na vida dessas pessoas”, afirmou. Ele disse ainda que o Ministério da Saúde deveria divulgar normas para diagnósticos claros de anencefalia. E que o ideal seriam dois laudos médicos confirmando a anencefalia antes que haja a interrupção a gravidez. O ministro admitiu ainda que a decisão do Supremo não impede o Congresso de editar uma lei que trate do assunto.

Ainda votarão os ministros Celso de Mello e o presidente da Corte, Cézar Peluso.

Primeiro dia

Relator da ação no STF, Marco Aurélio afirmou que dogmas religiosos não podem guiar decisões estatais e fetos com ausência parcial ou total de cérebro não têm vida. A ministra Rosa Maria Weber admitiu que conceitos científicos são mutáveis e considerou que anencéfalos podem sobreviver por meses – o que médicos negam. Mas acabou votando a favor da interrupção da gravidez nesses casos “porque não está em jogo o direito do feto, mas sim da mulher”.

Ao contrário do que defendem entidades religiosas, o relator afirmou que o feto anencéfalo não tem como viver. “Hoje é consensual no Brasil e no mundo que a morte se diagnostica pela morte cerebral. Quem não tem cérebro não tem vida”, disse. “Aborto é crime contra a vida em potencial. No caso da anencefalia, a vida não é possível. O feto está juridicamente morto.”

Lewandowski refutou a tese, levando em conta a vontade dos legisladores ao escreverem as condições em que o aborto é permitido. “Até agora os parlamentares decidiram manter intacta a lei penal, excluída as duas hipóteses [estupro e risco de vida da mãe]”, disse. O ministro afirmou que o Supremo só pode legislar de forma negativa, “para extirpar do texto jurídico o que contradita ao texto constitucional”.

“Além de discutível do ponto de vista ético e jurídico, [a medida] abriria as portas para a interrupção de inúmeros embriões que sofrem ou venham a sofrer de problemas genéticos que levem ao encurtamento de suas vidas intra ou extrauterinas”, afirmou.

Em uma antecipação do seu voto, o ministro Joaquim Barbosa acompanhou o relator e remeteu a decisões antigas que já tomou na corte.

Luiz Fux apelou à dignidade da vida da mãe. “É até desumano ler esses efeitos nocivos e deletérios para a saúde da mulher”, disse ele, referindo-se a problemas recorrentes nas mulheres após gestações desse tipo.

Desvincular a decisão o Supremo do aborto geral foi o centro do voto da ministra Cármen Lúcia. “O Supremo não está decidindo sobre o aborto. Decisões judiciais são oferecidas de acordo com objeto apresentado para a decisão”, disse.

Na sessão de quarta-feira, grupos católicos se manifestaram diante do STF, incluindo um casal com uma filha vítima de acrania – problemas de formação do crânio. A ação em julgamento trata exclusivamente de casos de anencefalia (ausência da maior parte do cérebro).

Tramitação

A ação chegou ao STF em 2004, por sugestão da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS). A entidade defende a antecipação do parto quando há má formação cerebral sem chance de longa sobrevivência para a criança. Para grupos religiosos, incluindo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o princípio mais importante é o de que a vida deve se encerrar apenas de forma natural.

A prática já foi autorizada pela Justiça em mais de 5.000 casos desde 1989, segundo especialistas. Em julho de 2004, uma liminar do ministro Marco Aurélio de Mello autorizou a interrupção, independentemente de ordem judicial específica. A decisão vigorou por 112 dias, período em que enfrentou forte pressão da Igreja Católica, e foi derrubada pelo plenário do STF em outubro do mesmo ano porque a maioria dos ministros considerou que não havia urgência para a sua concessão.

Anencefalia

A anencefalia causada por um defeito no fechamento do tubo neural (estrutura que dá origem ao cérebro e à medula espinhal). Ela pode surgir entre o 21º e o 26º dia de gestação. O diagnóstico é feito no pré-natal, a partir de 12 semanas de gestação, inicialmente por meio de ultrassonografia. Entidades médicas afirmam que o Brasil tem aproximadamente um caso para cada 700 bebês nascidos.

A grande maioria das crianças que nascem sem cérebro morrem instantes depois. Além de carregar no útero um bebê fadado a viver possivelmente por alguns minutos, as mães ainda têm de lidar com a burocracia de registrar o nascimento e o óbito no mesmo dia. O advogado da CNTS na ação, Luis Roberto Barroso, classifica a gravidez de anencéfalos de “tortura com a mãe”.

Os críticos da interrupção de gravidez de anencéfalos citam um caso de 2008 em Patrocínio Paulista, interior de São Paulo. Marcela de Jesus Ferreira sobreviveu um ano e oito meses porque a ausência de cérebro não era total. Marco Aurélio disse em seu pronunciamento que o caso não era de anencefalia, conforme confirmado por especialistas.

De acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha, em 2004 havia 67% de paulistanos favoráveis a interromper a gravidez de bebês com anencefalia.

Entenda a anencefalia e a merocrania, outro tipo de malformação

Na anencefalia, há a ausência da maior parte do cérebro e da calota craniana (parte superior e arredondada do crânio). Na merocrania, uma condição extremamente rara, há um defeito menos acentuado da caixa craniana e o resquício do cérebro é coberto por uma membrana. Ambas as anomalias são fatais, mas, no segundo caso, a sobrevida costuma ser maior. O tronco cerebral, quando bem formado, garante ao feto funções vitais como respiração e batimentos cardíacos

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Supremo retoma julgamento de interrupção de gravidez de anencéfalos nesta tarde; 5 foram a favor e um contra

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Supremo retoma julgamento sobre interrupção da gravidez de fetos com anencefalia

Durante o primeiro dia de julgamento, o procurador-geral da República Roberto Gurgel declarou que “O aborto eugênico pressupõe a viabilidade do feto, o que não se caracteriza no caso da anencefalia” Sergio Lima/Folhapress/Montagem UOL

O relator da ação, Marco Aurélio Mello, afirmou que dogmas religiosos não podem guiar decisões estatais e que fetos com ausência parcial ou total de cérebro não tem vida. “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, declarou durante o julgamento Elza Fiúza/ABr/Montagem UOL

Marco Aurélio Mello, relator da ação no STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que “O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Não se trata de vida potencial, mas de morte segura” Reprodução/Montagem UOL

O ministro Luiz Fux deu seu parecer a favor da antecipação do parto em caso de anencefalia. “Aborto é uma questão de saúde pública, não de Direito Penal”, disse durante o julgamento Alan Marques/Folhapress/Montagem UOL

O ministro Luiz Fux indagou “Por que punir essa mulher que já padece de uma tragédia humana?” Alan Marques/Folhapress/Montagem UOL

A ministra Carmen Lucia deu seu parecer a favor da antecipação do parto em caso de anencefalia. “O Supremo não está decidindo sobre o aborto. Decisões judiciais são oferecidas de acordo com o objeto apresentado para a decisão”, declarou durante o julgamento Alan Marques/Folhapress/Montagem UOL

A ministra Carmen Lucia declarou no julgamento que “Quando se faz escolhe pela interrupção, não é escolha fácil. É trágica sempre. É a escolha do possível dentro de uma situação extremamente difícil. A escolha é de qual é a menor dor” Sergio Lima/Folhapress/Montagem UOL

A ministra Rosa Maria Weber deu seu parecer a favor da antecipação do parto em caso de anencefalia, mas ponderou que “nem a Ciência tem o controle de todos os seus conceitos (…) Plutão por muitos anos do século 20 foi considerado um planeta e depois deixou de ser” Montagem UOL

A ministra Rosa Maria Weber declarou que “O uso do conceito vida em biologia é razoavelmente estável. Significa organismo com metabolismo próprio e capacidade de reprodução” Pedro Ventura/Montagem UOL

Marco Aurélio Mello, o relator da ação no STF (Supremo Tribunal Federal) defendeu que “A gravidez de anencéfalos coloca a mulher em cárcere privado no próprio corpo” Alan Marques/Folhapress/Montagem UOL

O ministro Ricardo Lewandowski deu seu parecer contrário à antecipação do parto em caso de anencefalia. “Além de discutível do ponto de vista ético e jurídico, abriria as portas para a interrupção de inúmeros embriões que sofrem ou venham a sofrer de problemas genéticos que levem ao encurtamento de suas vidas intra ou extrauterinas.”, disse durante o julgamento Pedro Ventura/Montagem UOL

O ministro Carlos Ayres Britto deu seu parecer a favor da antecipação do parto em caso de anencefalia. “Se os homens engravidassem, a interrupção da gravidez de anencéfalo estaria autorizada desde sempre”, afirmou durante o julgamento Mais Pedro Ventura/ Montagem UOL

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Câmara aprova multa mais alta e ampliação de provas válidas pela Lei Seca

A Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica na noite desta quarta-feira (11), a ampliação das provas válidas pela Lei Seca que comprovam a embriaguez de motoristas. O projeto segue para análise no Senado. A nova proposta também dobra a multa para o condutor flagrado sob a influência de álcool ou de substância psicoativa que determine dependência. Ela passaria de R$ 957,70 para R$ 1.915,40. Esse valor seria dobrado em caso de reincidência no período de 12 meses.

O projeto de lei proposto pelo deputado Hugo Leal (PSC-RJ), autor da Lei Seca, autoriza o uso de testemunhas, exame clínico, imagens e vídeos como meios de prova do estado de embriaguez de motoristas. Hoje, para comprovar a embriaguez do motorista são válidos como prova o teste do bafômetro e exame de sangue.

Em março, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que apenas os resultados obtidos por meio de bafômetro e exame de sangue podem ser aceitos como prova de embriaguez no trânsito para desencadear uma ação penal, com possibilidade de detenção de seis meses a três anos. A limitação do STJ enfraqueceu a lei, já que o motorista pode se recusar a se submeter ao teste ou ao exame, amparado pelo princípio constitucional de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si próprio.

“A Câmara esperava uma intepretação do STJ favorável à visão que tínhamos em favor da prova testemunhal, mas, como o tribunal tomou essa decisão, vamos cumprir com o nosso papel e votar essa alteração”, disse o vice-presidente da Frente Parlamentar Pelo Trânsito Seguro, deputado Henrique Fontana (PT-RS).

Fontana explicou que os deputados vão garantir aos motoristas o poder de apresentar uma contraprova em oposição aos testemunhos. “Se o condutor se achar perseguido pelo agente de trânsito, terá a garantia de apresentar uma prova a seu favor”, disse. (Com Agência Câmara)

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Grampo da Operação Monte Carlo pega Protógenes

Deputado Delegado Protógenes PCdoB/SPNas escutas, Protógenes orienta Idalberto Matias Araújo, o Dadá, a embaraçar a investigação da PF (Beto Oliveira/Agência Câmara)

Autor do requerimento de criação de uma CPI para investigar a ligação de políticos com Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilegais no País, o deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi flagrado em pelo menos seis conversas suspeitas com um dos mais atuantes integrantes do esquema do bicheiro goiano: Idalberto Matias Araújo, o Dadá. O elo entre os dois foi revelado em grampos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Espécie de faz-tudo do esquema e conhecido araponga de dossiês políticos, Dadá esteve a serviço de Protógenes na Operação Satiagraha e, nas conversas, recebe orientações do ex-delegado sobre como agir para embaraçar a investigação aberta pela corregedoria da PF sobre desvios no comando da operação que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas — a Satiagraha.

Os grampos da Operação Monte Carlo mostram que a proximidade de Protógenes com Dadá é suficiente para que sua autoridade para integrar a CPI seja questionada. Os diálogos revelam o empenho do deputado, delegado licenciado da Polícia Federal, em orientar Dadá na investigação aberta contra ele próprio, no ano passado.

Numa das conversas, Protógenes lembra ao araponga para só falar em juízo. “E aí, é aquela orientação, entendeu?”, diz ele, antes do depoimento de Dadá. As ligações foram feitas para o celular do deputado. Fica evidente a preocupação de Protógenes em não ser visto ao lado de Dadá. Eles sempre combinam encontros em locais distantes do hotel onde mora o deputado, como postos de gasolina e aeroportos. Procurado em seu gabinete nesta terça, Protógenes não foi localizado e também não respondeu às ligações para seu celular.

Dadá foi apontado na Operação Monte Carlo — que resultou em sua prisão e na de Cachoeira, em fevereiro — como o encarregado de cooptar policiais e agentes públicos corruptos, de obter dados sigilosos para a quadrilha e de identificar e coordenar a derrubada de atividades de grupos concorrentes. Ele está preso desde o mês passado, acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e exploração de máquinas caça-níqueis.

Em agosto do ano passado, Dadá tratou de seu depoimento no inquérito da Satiagraha com o próprio Protógenes, com o advogado Genuino Lopes Pereira e com o escrivão da Polícia Federal Alan, lotado na Coordenação de Assuntos Internos da PF(Coain-Coger), uma subdivisão da Corregedoria-Geral. O assunto é o mesmo: Dadá e Jairo Martins, outro araponga ligado a Cachoeira e que esteve informalmente sob o comando de Protógenes na Satiagraha, só deveriam se manifestar em juízo.

Se integrar a CPI para apurar os elos de Cachoeira, Protógenes investigará dois de seus colaboradores, como indicam os grampos. O advogado Genuino Pereira afirmou que não conhece Protógenes e negou que seus clientes tenham combinado a versão que dariam em depoimento à PF. Alega que eles se comportaram daquela forma por coincidência. Alan não foi encontrado no local de trabalho.

Com a imagem de quem se tornaria o “xerife” da Câmara, Protógenes foi eleito graças à carona que pegou nos 1,3 milhão de votos do palhaço Tiririca (PR-SP) para preencher o total de votos exigidos pelo quociente eleitoral de São Paulo. A iniciativa de criar uma CPI para investigar Cachoeira e seus colegas é, até agora, o auge de sua promessa de campanha.

Nos áudios da Monte Carlo, Dadá trata o deputado por “professor” e “presidente”. Uma das interceptações mostra Protógenes sugerindo a Dadá que o encontre num novo hotel. “Não tô mais naquele não”, avisa, num sinal de que os encontros são constantes. No grampo de 11 de agosto de 2011, acertam o local da conversa, mas se desencontram. “Tá onde?”, pergunta. Dadá responde: “Em frente da loja da Fiat”, ao que o deputado constata: “Ah, tá. Estou no posto de gasolina”. “No primeiro?”, indaga Dadá. “Isso”, confirma o deputado.

(Com Agência Estado)

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Navio privado brasileiro afunda na Antártida

Todos os quatro tripulantes foram resgatados por autoridades chilenas antes de embarcação de jornalista afundar.

O navio de bandeira brasileira “Mar Sem Fim” naufragou no sábado (7) em frente à base chilena Presidente Eduardo Frei Montalva, na Baía Maxwel, na Antártida, segundo nota da Marinha do Brasil. Não houve vítimas. A embarcação era propriedade do empresário e jornalista João Lara Mesquita.

Veja o blog que era atualizado por Mesquita

Os quatro tripulantes, que faziam um documentário na região, foram resgatados pelas autoridades chilenas e evacuados para a base daquele país, antes do afundamento. Segundo a Marinha, as “condições climáticas adversas” na área não permitiam a permanência segura do pessoal na embarcação.
A Marinha informou ainda que estão sendo tomadas as medidas necessárias, com o apoio da base chilena, para atenuar eventuais danos ambientais que possam ser causados pelo naufrágio.

O grande acúmulo de gelo na área impede o acesso à Baía Maxwel pelos navios da Marinha Ary Rongel e Almirante Maximiano – que já deixaram a Estação Antártica Comandante Ferraz, em direção à cidade de Punta Arenas, para voltar ao Brasil.

Leia também: Governo confirma 2 mortes em base brasileira na Antártida

Medo: Militares são retirados de estação devido a ‘condições adversas’

No blog da expedição, a última atualização foi feita na quinta-feira, em que Mesquita relatou que o grupo estava na baía Fields, Ilha Rei George, enfrentrando dificuldades de navegação por causa das nevascas e das temperaturas muito baixas.

Foto: Reprodução

Embarcação teria afundado por compressão sofrida pelo acúmulo de gelo

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Chico Anysio morre aos 80 anos

Comediante estava internado em hospital no Rio de Janeiro.
Ele começou no rádio, fez sucesso na TV e atuou em filmes.

Morreu às 14h52 desta sexta-feira (23), aos 80 anos, o humorista Chico Anysio. Segundo nota divulgada pelo Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, onde ele estava internado havia três meses, o humorista morreu após uma parada cardiorrespiratória, causada por falência múltipla dos órgãos, decorrente de choque séptico causado por infecção pulmonar. Ao longo de seus 65 anos de carreira, o cearense Chico Anysio criou mais de 200 personagens e foi um dos maiores humoristas do Brasil com destaque no rádio, na TV, no cinema e no teatro (abaixo, nesta reportagem, relembre sua trajetória). Ele deixa oito filhos e completaria 81 anos no dia 12 de abril.

O corpo de Chico Anysio será velado no Theatro Municial, no Centro do Rio. O velório será aberto ao público a partir das 12h. No domingo (24), ele será cremado no Cemitério do Caju, na Zona Portuária. O horário da cerimônia ainda não foi definido. O governador do estado do Ceará, Cid Gomes, decretou luto oficial no Estado, por 3 dias, por causa da morte do humorista Chico Anysio.

Anysio apresentou uma piora nas funções respiratórias e renal na quarta-feira (21) e voltou a respirar com ajuda de aparelhos durante todo o dia. Ele estava no CTI do hospital carioca desde 22 de dezembro do ano passado por conta de um sangramento. O comediante chegou a ter o problema controlado, mas apresentou uma infecção pulmonar e retornou à internação. Ele seguia em sessões de fisioterapia respiratória e motora diariamente, somadas a antibióticos.

O ator também foi submetido a uma laparotomia exploradora, procedimento cirúrgico que serve para revelar um diagnóstico. Essa cirurgia fez com que Chico Anysio tivesse um segmento de seu intestino delgado retirado.

No final de 2010, ele foi levado ao mesmo hospital com falta de ar. Após uma obstrução da artéria coronariana ser encontrada, passou por uma angioplastia, procedimento para desobstrução de artérias. Após 110 dias, teve alta em março do ano passado.

Com fortes dores nas costas, o humorista foi novamente internado em novembro. Ficou no hospital durante cinco dias, para receber medicação intravenosa devido a problema antigo nas vértebras que provocava dor. No fim de novembro, teve febre e os médicos descobriram uma contaminação por fungos, tratada com antibióticos. No começo de dezembro, retornou ao hospital com infecção urinária e ficou internado por 22 dias. Um dia depois, voltou ao Hospital Samaritano.

Nos momentos mais críticos, quando esteve no hospital entre dezembro de 2010 e março de 2011, Chico necessitou da ajuda de aparelhos para respirar e se comunicava com médicos e familiares por meio de mímica. Durante o período pós-operatório, houve o diagnóstico de um tamponamento cardíaco, que acontece quando o sangue se acumula entre as membranas que envolvem o coração (pericárdio).
Durante o período de internação, que alternou momentos no CTI e em unidades intermediárias, Chico Anysio apresentou quadros de pneumonia e passou por sucessivas broncoscopias. As infecções foram tratadas com uso de antibióticos.

Antes, em agosto de 2010, o humorista precisou ser internado para a retirada de parte do intestino grosso após ser constatado um quadro de hemorragia no aparelho digestivo. Em maio de 2009, outra pneumonia o levou ao hospital.

O bordão mais famoso do Professor Raimundo era repetido por Chico Anysio no fim do programa: 'e o salário, ó' (Foto: CGCom/TV Globo)O O personagem mais famoso de Anysio foi o Professor Raimundo (Foto: CGCom/TV Globo)

Rádio e TV
Foi na Rádio Guanabara, ainda nos anos 50, que os seus tipos cômicos começaram a surgir. Até o “talento para imitar vozes”, como o proprio Chico descreveria em seu site, evoluir para a televisão. A estreia aconteceu em 1957, na extinta TV Rio, no programa “Aí vem dona Isaura”. Foi lá que o Professor Raimundo teve sua primeira aparição no vídeo, como o tio da protagonista que vinha do Nordeste — até então o programa só havia sido veiculado pelo rádio.

“Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: “‘Na minha terra, tem um Pantaleão. No Rio tem muito Azambuja’”, explicou o humorista ao “Estado de S. Paulo”, em 2009.

Num tempo em que ainda não existiam contratos de exclusividade, Chico pôde fazer participações especiais em programas de outras emissoras e em chanchadas da Atlântida.
O “Chico Anysio Show”, seu primeiro programa de humor, foi lançado no início da década de 60. Foi ao ar pela TV Rio, depois pela Excelsior e em 1982 voltou a ser exibido pela Rede Globo — onde o humorista já trabalhava desde 1969.

A cantora Elza Soares e Chico Anysio durante show em São Paulo em 1967 (Foto: Agência Estado)A cantora Elza Soares e Chico Anysio durante show em São Paulo em 1967 (Foto: Agência Estado)

Mas foi na Globo que teve seus programas humorísticos de maior sucesso e onde desenvolveu a maioria de seus personagens. Entre as atrações, destaque para “Chico city” (1973-1980), “Chico total” (1981 e 1996) e “Chico Anysio show” (1982-1990) e “Escolinha do professor Raimundo”.

Alguns desses personagens quase que se misturam à história da televisão brasileira, como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o coronel Pantaleão, o pai-de-santo Véio Zuza, o velhinho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares e sua mulher Biscoito (Zezé Macedo) e o revoltado Jovem.

Com o passar dos anos, novos tipos eram criados e incorporados ao programa: o funcionário da TV Globo Bozó, que tentava impressionar as mulheres por conta de sua condição; o mulherengo e bonachão Nazareno, sempre de olho nas serviçais; o político corrupto Justo Veríssimo; e o pai de santo baiano e preguiçoso Painho são alguns dos mais populares.

Apresentada como quadro em outros programas desde a década de 1980, a “Escolinha do Professor Raimundo” tornou-se uma atração independente em 1990. No ar até 2002, o humorístico lançou toda uma geração de comediantes. Entre os “alunos” revelados pelo “professor Chico” estão Claudia Rodrigues, Tom Cavalcante e Claudia Gimenez.

Chico também atuou em novelas e especiais da Globo, como “Pé na jaca” (2007), “Sinhá Moça” (2006), “Guerra e paz” (2008) e “A diarista” (2004). Chico Anysio também teve um quadro fixo no Fantástico por 17 anos (de 1974 a 1991), e supervisionou a criação no programa “Os Trapalhões” no início dos anos 90.

Chico Anysio (na cadeira de rodas) exibe o prêmio especial do júri junto com a equipe do longa 'A hora e a vez de Augusto Matraga' (Foto: Alexandre Durão/G1)Chico exibe prêmio do Festival do Rio com a equipe do longa ‘A hora e a vez de Augusto Matraga’, em 2011 (Foto: Alexandre Durão/G1)

Cinema
A incursão mais recente de Chico Anysio no cinema foi como dublador. É dele a voz do protagonista da animação “Up – Altas aventuras”, animação do estúdio Pixar. Antes disso, o humorista fez uma participação especial no recordista de bilheteria “Se eu fosse você 2” (2008), de Daniel Filho. “Nos créditos finais fiz questão de colocar ‘senhor Francisco Anysio’. Ele é um astro, merece ser tratado com toda reverência”, explicou o diretor em entrevista ao G1 durante o lançamento do longa.

Em 1996, o humorista interpretou o personagem Zé Esteves, pai da personagem-título, em “Tieta”, de Cacá Diegues. O trabalho coincidiu com o aniversário de 25 anos da estréia de Chicono cinema, na pornochanchada “O doce esporte do sexo”. Antes havia participado de comédias como “Mulheres à vista” e “Cacareco vem aí”.

Em 2011, em sua última aparição pública, recebeu o prêmio especial do Júri do Festival do Rio pelo seu desempenho no longa “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do diretor Vinícius Coimbra.
“O filme é importantíssimo, a obra é linda. Vinícius realizou algo quase inacreditável. É um filme que, tenho certeza, Sergio Leone assinaria com alegria”, destacou o bem humorado Chico, que fez questão de receber o Troféu Redentor pessoalmente, mesmo de cadeira de rodas.

Literatura e artes plásticas

Além de se dedicar ao humor, Chico também foi artista plástico. Apaixonado pela pintura, retratou paisagens ao redor do mundo a partir de fotografias que tirava dos países que visitava. Realizou exposições de seus quadros em diversas galerias do Brasil e chegou a afirmar que gostaria de ter dedicado mais tempo à atividade.

“Porque teria tido mais tempo para aprender, para melhorar. Teria mais tempo para me tornar conhecido e aceito, para vender meus quadros por um preço melhor. Cheguei a admitir que a pintura seria meu emprego da velhice, mas não vai ser, porque ninguém está comprando nada de obra de arte, e pintar para guardar é terrível”, disse em entrevista à “Folha de S. Paulo”, em 2007. Foi autor de 21 livros, tendo publicado vários best-sellers na década de 70, como “O Batizado da vaca”, “O telefone amarelo” e “O enterro do anão”. Sua última publicação foi “O canalha”, lançada em 2000.

“É a história do cara que participou de todos os governos, desde Eurico Gaspar Dutra até o primeiro mandato de Fernando Henrique. Foi ele o responsável por todas as canalhices que ocorreram de lá para cá, como dar um revólver de presente a Getúlio Vargas”, explicaria o escritor Chico Anysio em entrevista à revista “Época”, no mesmo ano.

Outra de suas obras de destaque na literatura é o bem humorado manual “Como segurar seu casamento”, também de 2000. Na época, advertiu os leitores: “Não dou conselhos, transmito os erros que cometi e foram cometidos em cinco casamentos. Conviver é a arte de conceder. Essa troca de concessões gera a convivência harmônica”, comentou.

Carreira esportiva
Caçula de oito irmãos, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu no dia 12 de abril de 1931, no município de Maranguape, no Ceará. A cidade constantemente era citada de forma saudosa pelo humorista – seu personagem mais popular, o Professor Raymundo, era de lá.
“Maranguape, cidade de que tanto falo, representa uma grande saudade. Foi um pequeno paraíso, o Éden da minha infância durante gloriosos anos. Foi lá que aprendi a ler sozinho”, escreveu o humorista em seu site oficial.

Aos 7 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, após a falência da empresa de ônibus da família. Morador do Catete, contrariou a vontade do pai e do irmão mais velho — botafoguenses convictos — e se tornou vascaíno. Sonhava em ser jogador de futebol.

Mas a carreira esportiva logo foi esquecida, quando Chico passou em testes para ser locutor e ator da Rádio Guanabara. Ele ficou em segundo lugar, perdendo apenas para Silvio Santos.
Nos anos 50, também trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Foi na primeira que criou o programa que se tornaria um de seus maiores sucessos, “Escolinha do Professor Raymundo”, inicialmente composta por três alunos: Afrânio Rodrigues (o que sabia tudo), João Fernandes (o que não sabia nada) e Zé Trindade (o que embromava o professor).

Apesar da tentativa de se tornar um galã de radionovelas, sua veia humorística se destacava desde o início. “A rádio Guanabara descobriu meu jeito para imitar vozes. Neste dia perdi minha chance de ser um Tarcísio Meira”, contou o comediante em seu site. Foi assim que começou a compor os mais de 70 tipos cômicos que marcariam sua carreira.

O humorista cercado pelos filhos, Nizo Neto (esquerda) e Bruno Mazzeo, no lançamento do DVD Chico Especial, em 2007 (Foto: TV Globo)Chico sorri com os filhos Nizo Neto (esq.) e Bruno Mazzeo, no lançamento do DVD ‘Chico Especial’, em 2007 (Foto: TV Globo)

Casamentos e filhos
O primeiro de seus casamentos foi aos 22 anos, com a atriz Nancy Wanderley. Depois foi a vez de Rose Rondelli. Sobre a união com a cantora e ex-frenética Regina Chaves, dizia mal se lembrar. Já com Alcione Mazzeo, rompeu a relação por conta de um ensaio nu. Mas foi seu matrimônio com a ex-ministra da Economia do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello — com quem teve dois filhos — que provocou mais polêmica. “Passou a ser uma pessoa de meu desagrado total. Fui um biombo para ela”, disse Chico à revista “Isto É”, em outubro de 2000.

Antes, porém, teve seis filhos, entre eles os atores Lug de Paula (famoso por interpretar o Seu Boneco, da “Escolinha do Professor Raimundo”), Nizo Neto (o Seu Ptolomeu, do mesmo programa, também dublador) Bruno Mazzeo (ator e roteirista). Chico também era tio do ator Marcos Palmeira, filho do cineasta Zelito Vianna, irmão do humorista; e da atriz Maria Maya, filha de Cininha de Paula, sobrinha do humorista.

Em novembro de 2009 foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta comenda do governo brasileiro na área. Da vida, dizia levar apenas um arrependimento: “Me arrependo enormemente de ter fumado durante 40 anos.”

O humorista cercado pelos filhos, Nizo Neto (esquerda) e Bruno Mazzeo, no lançamento do DVD Chico Especial, em 2007 (Foto: TV Globo)Chico Chico sorri com os filhos Nizo Neto (esq.) e Bruno Mazzeo, no lançamento do DVD ‘Chico Especial’, em 2007 (Foto: TV Globo)

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