Lula recebe títulos de doutor honoris causa no Rio

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula recebe título da Universidade Fderal Rural do RJ

Na cerimonia, Lula lembrou que ele e o ex-vice-presidente José Alencar foram as primeiras pessoas a chegar à Presidência da República sem ter um diploma de cursos superior

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso em tom emotivo nesta sexta-feira, 4, durante a cerimônia em que recebeu títulos de doutor honoris causa de cinco universidades do Estado do Rio. Ele começou pedindo desculpas por falar sentado e sem improviso, ao contrário do que costuma fazer, justificando que ainda está em processo de recuperação após o tratamento do câncer na laringe.

Bem-humorado e demonstrando disposição, o ex-presidente destacou a importância da educação para o País e citou feitos de seu governo. “A educação é o alicerce sobre o qual se constrói a igualdade social. Sempre insisti que o dinheiro público aplicado em educação é investimento e não gasto, pois ajuda a construir um futuro mais digno para as pessoas e para o País”, afirmou. Lula lembrou que ele e o ex-vice-presidente José Alencar foram as primeiras pessoas a chegar à Presidência da República sem ter um diploma de cursos superior. “Parecíamos que tínhamos (um título universitário), mas não tínhamos”, brincou, arrancando risos do público.

Entre as realizações do seu governo, o ex-presidente citou a criação do Universidade Para Todos, programa de concessão de bolsas para estudantes de baixa renda em instituições privadas, a criação de novas universidades federais e a redução da pobreza no País. Sentado ao lado da presidente Dilma Rousseff, Lula lembrou a participação dela em seu governo como ministra chefe da Casa Civil, Pasta na qual gerenciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Antes, quando Lula foi chamado à mesa e foi ovacionado pelo público, a presidente Dilma não conteve as lágrimas. O ex-presidente recebeu títulos de doutor honoris causa das universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Fluminense (UFF), do Estado do Rio (UniRio), Rural do Rio (UFRRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em solenidade no Teatro João Caetano, no Rio.

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Maioria dos ministros do STF vota a favor de cotas raciais em universidades públicas

No segundo dia do julgamento sobre a política de reserva de cotas raciais nas universidades brasileiras, o índio guarani Araju Sepeti foi expulso da sessão do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) após interromper por mais de uma vez o voto do ministro Luis Fux MaisAlan Marques/Folhapress

A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) votou nesta quinta-feira (26) a favor das cotas raciais em universidades públicas. Com o voto de Celso de Mello, o placar já está em 9×0. Ele se juntou aos votos dos ministros Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Luiz Fux. Os seis acompanharam a opinião do relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, que se disse ontem (25) a favor da constitucionalidade da medida

No entanto, ainda não é possível dizer que a questão está decidida, já que os ministros podem alterar seus votos até o final da sessão. Falta, ainda, o voto do presidente do STF, Carlos Ayres Britto. O ministro Dias Tóffoli não participa do julgamento, já que, quando era advogado-geral da União, deu parecer favorável às cotas.

Votos dos ministros

Mesmo seguindo o voto do relator, o ministro Gilmar Mendes alertou para uma eventual futura inconstitucionalidade do modelo da UnB (Universidade de Brasília), que não leva em conta, por exemplo, critérios sociais. “Tenho muitas dúvidas em relação ao critério puramente racial. Aqui, não se contempla, permite-se uma possível distorção. Essa distorção precisa ser realmente enfocada. O modelo da UnB padece desse vício, podendo gerar distorções e perversões. Esse é um modelo que está sendo experimentado, cujas distorções vão se revelando no seu fazimento, e que reclama aperfeiçoamento.”

Para Cezar Peluso, as políticas de ações afirmativas precisam ser aplicadas de olho no futuro. “Essas políticas públicas estão voltadas ao futuro. Elas não compensam [atitudes anteriores]. Elas estão atuando sobre a realidade de uma injustiça”, afirmou.

Joaquim Barbosa, o único ministro negro da Corte, votou brevemente, seguindo a posição do relator. “Meus pontos de vista sobre a matéria [a favor das cotas] são mais do que conhecidos. Já publiquei há onze anos uma obra sobre o tema”, disse.

Rosa Weber seguiu, “na íntegra”, o voto de Lewandowski e usou a disparidade social brasileira para justificar sua opinião. “O fato é que a disparidade racial é flagrante na sociedade brasileira. A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela”, disse. “O sistema de cotas visa oportunizar aos negros, no caso a UnB, o acesso à universidade brasileira. Assim, as razões se inclinam para manutenção do sistema.”

Luiz Fux, professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), instituição que adota política de cotas para negros, disse que recebeu uma carta de alunos da instituição defendendo as ações afirmativas. “Uma coisa é não fazer. Outra coisa é fazer. Uma coisa é vetar a discriminação. Outra coisa é implementar políticas que levam à integração política e social do afrodescendente, diante dessas ações afirmativas e dessa integração acadêmica”, afirmou Fux.

Ações

Uma das ações sobre as cotas raciais em universidades foi impetrada pelo DEM em setembro de 2009, pedindo a suspensão delas na UnB. Na ação, o partido afirma que esse tipo de reserva de vaga fere a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação e afeta o próprio combate ao racismo.

Na época, o STF negou uma liminar para cancelar a adoção das cotas na universidade.

A ela, se junta o recurso de um estudante do Rio Grande do Sul que não teria sido aprovado para administração na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Segundo ele, outros candidatos com notas menores que as dele, beneficiados pelo sistema de cotas, ingressaram no curso.

Voto do relator

“Qualquer critério adotado colocará candidatos em vantagem e desvantagem, porém é preciso observar o ganho para a sociedade como um todo”, afirmou Lewandowski. “A política de reserva de vagas não é de nenhum modo estranha à Constituição.”

Para o ministro, as cotas precisam ter características “transitórias”, com tempo de duração limitado. “[Seja pelo] Tempo necessário para que se alcance a isonomia e a justiça material”, disse. Lewandowski diz que reconhece, na política de cotas da UnB, a característica de transitoriedade -já que o processo passa por uma revisão a cada dez anos- e que os métodos de seleção na instituição são “eficazes”.

Antes, a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, também havia se posicionado favoravelmente às cotas.

Prouni

Nesta mesma sessão, o plenário do Supremo pode continuar a julgar uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade), impetrada por DEM, Confenem (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) e Fenafisp (Federação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social), que questiona os critérios de seleção (raciais e sociais) do Prouni.

A análise começou em abril de 2008, mas um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa interrompeu o julgamento. O relator do processo é o atual presidente do STF, Ayres Britto.

Em 2010, durante as eleições presidenciais, a então candidata do PT, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, trocaram farpas sobre a ação do DEM contra o Prouni.

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APEOC e SEDUC se reúnem para tratar dos pontos eixo da I pauta de reivindicações

Em reunião realizada na tarde de segunda-feira, 16 de abril, entre Sindicato APEOC e SEDUC para tratar dos pontos do eixo I de nossa pauta de reivindicações, conseguiu-se avançar e até definir datas para alguns dos pontos tratados.Na reunião estiveram presentes pelo Sindicato, o seu presidente Anizio Melo, o Vice-presidente Reginaldo Pinheiro, o Secretario de Formação Nagib Melo, o Secretário de Cultura do Sindicato André Sabino, o Secretário Jurídico Sergio Bezerra, a Servidora que compõe o Departamento de Funcionários do Sindicato-APEOC -DEFE, Ana Lúcia, além da equipe técnica formada por André carvalho e Helano Maia. Pela SEDUC participaram a secretária Izolda Cela, o Secretario Executivo Idilvan Alencar e a Coordenadora de Gestão de Pessoas, Marta Emília.
REIVINDICAÇÃO RESPOSTA

#Valorização do salário do professor no inicio de carreira de nível superior e Descompressão na carreira com foco na valorização do professor especialista A Secretária concordou a necessidade de valorização do salário do professor e sugeriu reunião da comissão técnica para se debruçar sobre a aplicação dos 77%, considerando o percentual da folha de pagamento em relação aos recursos do FUNDEB, crescimento vegetativo da folha, custo de implantação da reserva de 1/3, comportamento da receita considerando os impostos que compõem a cesta do FUNDEB. As reuniões das comissões técnicas APEOC e SEDUC serão realizadas nos dias 23 e 30 de abril na secretaria da educação, logo após será marcada data da comissão permanente.
#Efetivação do Compromisso de implantação de 1/3 da jornada para horas atividades a partir do segundo semestre de 2012, e aprovação de lei regulamentando sua implantação. A Secretária concordou que a implantação da reserva de 1/3 da jornada de forma progressiva até 2014, iniciando no segundo semestre deste ano, será disposta em Lei.
#Concurso Público O Edital do concurso público para professor sairá no mês de agosto deste ano.
#Ampliação Definitiva de Carga horária para professor e servidor ANS A Secretária disse que encaminhará para consulta e análise do pleito da ampliação definitiva para professores, junto a Procuradoria Geral do Estado, e em maio dará retorno sobre o assunto, quanto a Ampliação definitiva para os servidores ANS (Administrativo Superior), Marta Emília informou que esta reivindicação está sendo tratada na mesa geral de negociações dos servidores.
#Progressão para 100% dos aptos O Direito a progressão será respeitado, nos termos do plano de carreira.
#Direitos dos professores contratados por tempo determinado A SEDUC ressaltou que o Estado paga o 13º Salário aos professores contratados por tempo determinado. Quanto ao pagamento do adicional da reserva de 1/3 sobre as férias o referido direito é pago a todos aqueles que completam periodo aquisitivo de 12 meses de contrato. O pessoal lotado nos presídios e que trabalham com o indios sempre receberam. Em março deste ano os professores que completaram 12 meses de contrato também receberam 1/3 das férias, conforme reivindicação do Sindicato-APEOC. Quanto aos direitos previdenciários, foi dito que há o recolhimento previdenciário de todos os contratados para o INSS. A SEDUC e PGE trabalham em proposta de alteração da Lei Complementar 22 para melhor atender os anseios dos professores contratados.
#Pagamento do benefício alimentação para os servidores ADO que ampliaram a carga horária para 40 horas. A SEDUC informou que para que seja possível a inclusão do benefício alimentação para o pessoal ADO que ampliou a jornada para 40 horas é necessário que a folha “rode” pelo menos uma vez, diante disso o benefício alimentação será implantado na folha de junho com pagamento retroativo a 02 de maio. O pagamento do salário sairá normalmente no mês subsequente ao trabalhado com o pagamento do mês de maio previsto para o primeiro dia útil de junho.
#Garantia de recebimento da gratificação de regência de classe acrescida em seus percentuais pela lei 15.064 para os professores aposentados lotados nas gestões escolares e na CREDE/SEDUC A Minuta de projeto de Lei está sendo analisado entre SEDUC e PGE para que se assegure o mesmo ganho do valor da gratificação aos professores mestres e doutores aposentados lotados na SEDUC e CREDE.
#Definição de procedimentos referente para revisão das aposentadorias por invalidez permanente e pensões delas decorrentes, concedidas a partir de 1º de janeiro de 2004 aos seus servidores, segundo a emenda constitucional 70 A SEDUC informou que o processo de revisão inicia do SUPSEC/ CPREV que já encaminha a questão. O prazo de 180 dias será respeitado.

#ermanência dos servidores que ampliaram suas cargas horárias no seu local de trabalho. A Secretária informou que os servidores ADO que ampliaram a jornada para 40 horas, permanecerão nas suas lotações de origem.
A equiparação do valor da gratificação das secretárias escolar aos dos coordenadores escolares. A Secretária disse que está revendo a questão de como melhor remunerar os (as) secretários (as).
#Computador do professor O assunto será retomado em audiência com o Governador
#Pagamento do reajuste do piso O piso para o pessoal de nível médio já foi
implantado na folha de abril. A diferença dos valores referente janeiro, fevereiro e março estão sendo trabalhados para pagar em maio ou no mais tardar em junho.
O Sindicato tem apostado desde o ano passado na assessoria técnica no processo de negociação, pois assim quer antecipar-se na guerra dos números, campo de batalha bastante conhecido dos governos.
Nossa tarefa é garantir que a conquista do percentual de 77% dos recursos do FUNDEB para valorização do magistério em 2012, possa chegar a sua plenitude ao bolso do professor. Mesmo tendo garantido em lei essa conquista, estamos vigilantes acompanhando passo a passo os recursos destinados aos pagamentos de salários dos professores.
Fonte: Site Sindicato APEOC

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CEJA PE. Abelardo Ferreira Lima, aniversaria na próxima sexta-feira, 13.04.2012

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Aluna de escola pública, garota de 13 anos é aprovada em faculdade particular de MG

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte
<br>Lorena Aguiar Ribeiro, 13, foi aprovada em uma faculdade particular em Belo Horizonte
Lorena Aguiar Ribeiro, 13 anos

Uma adolescente de 13 anos foi aprovada no vestibular de uma faculdade particular de Minas Gerais para o curso de direito e virou sensação entre os professores e colegas de uma escola municipal de Belo Horizonte. Apesar da aprovação, a garota não poderá ingressar na instituição de ensino por conta de não ter completado o ensino médio.

De acordo com Lorena Aguiar Ribeiro, os colegas da escola municipal Prefeito Amintas de Barros, onde ela cursa na parte da manhã o 9º ano do ensino fundamental, ficaram surpresos e a parabenizaram depois que souberam da sua aprovação Faculdade Anhanguera, localizada na capital mineira. Lorena fez o exame na condição de “treineira”, no último dia 28 de março.

“Eles ficaram surpresos. Alguns nem acreditaram. Os que são meus amigos mesmo ficaram muito felizes e me parabenizaram. Os meus professores ficaram muito orgulhosos”, contou a adolescente, que mora no bairro Alpes, região oeste da capital mineira. Segundo ela, a surpresa pela aprovação se deu pelo fato de não ter mantido um ritmo intenso de estudos.

“Eu fiquei muito surpresa quando recebi a notícia. Achei a prova bem difícil e fiquei na dúvida se conseguiria passar”, revelou a garota. “Eu gosto muito de estudar. Mas não sou aquela pessoa que fica horas por conta disso durante o dia. Estava estudando o normal do que vejo no 9º ano, mas intensifiquei os estudos apenas na véspera da prova. Estudei assuntos que não vejo no meu dia a dia”, explicou.

Lorena disse que os pais ficaram muito surpresos com a notícia da aprovação. “O meu pai é que me influenciava a fazer o vestibular como teste. A minha mãe ficou um pouco receosa por achar que era muito cedo, mas depois ficou bastante orgulhosa”, contou.

Estudante que ser modelo e fazer medicina

Apesar do feito, a adolescente afirmou que o seu objetivo é seguir a carreira de modelo e também ingressar no curso de medicina. “O meu sonho é ser modelo e me formar para médica legista”, revelou.

De acordo com Graciliano Antônio Ribeiro, 41, pai de Lorena, a família não pretende ingressar na Justiça para tentar garantir a vaga da filha na faculdade onde ela foi aprovada. “Acelerar o processo estudantil dela seria pior”, resumiu Ribeiro.

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Aprovado o novo piso salarial para professores da rede estadual

O novo piso salarial para os professores da rede estadual do Ceará foi aprovado nesta quarta-feira (28), pelos deputados estaduais do Estado em sessão na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O valor mínimo é de R$ 1.451 e a medida é retroativa a janeiro deste ano.

A proposta visa garantir que nenhum servidor do grupo receba um valor mínimo inferior ao piso salarial profissional do Brasil, instituído pela lei federal 11.738 para a jornada semanal de 40 horas.

O projeto de lei 17/12, oriundo da mensagem 7.346, de autoria do Poder Executivo, dispõe sobre o valor do piso vencimental para os servidores do Grupo Ocupacional Magistério da Educação Básica (MAG).

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“A valorização do professor começa pelo piso”, diz Mercadante

Em entrevista ao iG, ministro afirma que reajuste tem amparo legal e defende recursos do pré-sal para auxiliar municípios

Priscilla Borges, iG Brasília

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, valorizar os professores brasileiros é meta fundamental para o País. Desde que assumiu o comando do ministério, ele anunciou a distribuição de tablets para os docentes do ensino médio, programas de formação, bolsas de estudo. Mas admite que cumprir o piso salarial do magistério deve ser a primeira medida de Estados e municípios para valorizar esse profissional.

Em entrevista ao iG, Mercadante afirmou que essa não é uma tarefa fácil e que há um limite de contribuição do ministério nesse sentido. “Temos outras responsabilidades a cumprir no apoio às prefeituras”, lembra. Garantir recursos do pré-sal para a educação, na opinião dele, pode ser uma boa solução para auxiliar os gestores municipais e estaduais a garantir melhores salários aos educadores.

Durante a conversa de quase uma hora, o ministro ressaltou que os cálculos feitos pelo MEC para reajustar o valor do piso são baseados em determinações legais – rebatendo de forma discreta as críticas feitas pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de que o ministro teria “opinião furada” sobre esse assunto.

Em pouco mais de um mês à frente do MEC – cujo orçamento é dez vezes maior do que o da Ciência, Tecnologia e Inovação, antigo cargo de Mercadante –, o ministro se diz maravilhado com o desafio. “É um ministério complexo, com uma agenda dinâmica, dimensões imensas. Eu considero o maior desafio estratégico do Brasil ter uma educação de qualidade para todos”, afirma.

Nos próximos meses, Mercadante espera anunciar novos projetos para a alfabetização e oExame Nacional do Ensino Médio (Enem). Um novo programa para a educação no campo será anunciado ainda este mês. Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Ministro, quais serão suas prioridades à frente do Ministério da Educação?
Aloizio Mercadante: Nosso primeiro esforço éacelerar o programa de creches e pré-escolas. Nós estamos contratando 1,5 mil creches por ano, no entanto, as prefeituras só estão conseguindo construir as creches num prazo de dois anos e meio. Montamos uma força-tarefa para, nos próximos 60 dias, verificarmos quais as medidas complementares podemos oferecer aos prefeitos e estamos terminando um estudo com o Inmetro para oferecermos serviços de engenharia de novos métodos construtivos, tipo estruturas pré-moldadas e novas tecnologias para acelerarmos isso. A deficiência é grande. Na pré-escola, estamos com 80% dos alunos matriculados, mas na creche temos em torno de 26% de cobertura.

A segunda grande prioridade é alfabetizar na idade certa. Essa eu diria que é uma das grandes prioridades dessa gestão, porque nós temos uma disparidade muito grande. Só 4,9% das crianças do Paraná não são alfabetizadas até os 8 anos de idade. Em Santa Catarina, 5,1%, para darmos bons exemplos. Quando você vai para o Nordeste, em Alagoas, 35% das crianças não são alfabetizadas na idade certa. Quando há creche e pré-escola, você tem mais chance de alfabetizar na idade certa, por isso esse nosso esforço. Nós temos de formar os professores de forma continuada; ter material pedagógico consistente e disponível; precisamos motivar os professores, premiando e valorizando os resultados que venham a ter e temos de avaliar as crianças.

iG: O programa alfabetização na idade certa vai incluir todas essas ações? Quando ele começará a funcionar?
Mercadante: Todas. É um projeto bem completo. Analisamos as melhores experiências do Brasil para formatar esse projeto. Nesta quinta-feira, vou participar do encontro do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e quero discutir o projeto com eles. É importante ouvir deles contribuições, esse tem de ser um grande pacto nacional. Nós vamos disponibilizar recursos, materiais, formação para os professores e motivá-los no programa. O melhor instrumento para isso é um novo programa, o Escola sem Fronteiras, que promoverá estágios desses professores nas melhores escolas do Brasil e do exterior. O pessoal da Capes está estudando as modalidades possíveis, mas estamos pensando no período das férias.

Ranking: Porcentual de alunos com aprendizado adequado à série por cidade

iG: O programa também prevê a oferta de bônus financeiro aos professores que tiverem bons resultados?
Mercadante: Até agora, a forma que achamos mais consistente de estimular os professores é com a bolsa do Escola sem Fronteiras. Também tem de dar algum estímulo para escola. Ela também tem de ser valorizada pelos resultados. Nós vamos discutir com os secretários de Educação para concluirmos o desenho desse programa em parceria, de forma consistente.

Nós estamos lançando também ainda agora em março, o Pronacampo. Só 15,5% dos jovens do campo estão no ensino médio. No campo, 23,2% de todas as pessoas com mais de 15 anos não estão alfabetizadas. O campo precisa ter um outro olhar por parte do Estado.

iG: O senhor poderia adiantar quais serão as ações práticas desse programa?
Mercadante: Toda a produção de material didático vai ser nova, focada no campo. Vamos oferecer também um programa de formação de professores voltado para isso; construir novas escolas, inclusive escolas com alojamentos. Nos últimos sete anos, tivemos mais de 30 mil escolas fechadas no campo. Estamos fixando também que, para fechar uma escola, a prefeitura ou Estado seja obrigado a consultar os conselhos estaduais e municipais de educação. Vamos estabelecer alguns critérios para o fechamento de escolas acontecer. Às vezes, é necessário, mas tem havido uma política de reduzir despesas, transferindo o ônus para o aluno. É muito mais fácil e barato para uma prefeitura, em vez de ter uma escola no interior, comprar um ônibus e fazer o aluno andar 100 km pra ir e mais 100 pra voltar.
No ensino médio, o que nós identificamos é uma evasão escolar muito alta. Uma parte é por causa da defasagem idade-série que vai se acumulando e se manifesta no ensino médio com o abandono da escola. A outra é que, para grande parte dos alunos, é preciso associar trabalho e educação, o que vamos fazer com o Pronatec. Além disso, a escola precisa ficar mais interessante. Um dos instrumentos mais importantes e rápidos nesse sentido é a distribuição do tablet com projetor digital, para que o professor melhore e crie um ensino interativo na sala de aula. Estamos distribuindo lousa digital, vamos dar toda a produção do Khan Academy, traduzida em parceria com a Fundação Lemann, e o Portal do Professor já tem 15 mil aulas prontas. Esse material vai dar um salto de qualidade na sala de aula.

Eu reconheço que é um reajuste forte e que há dificuldades. Agora, estamos falando em pouco mais de dois salários mínimos. Se nós quisermos ter professores de qualidade no Brasil, é preciso oferecer salários atraentes. Se não, tudo o mais que estamos falando não vai acontecer a médio prazo”

iG: O senhor acredita que distribuir esse material muda a divisão cultural entre professores e alunos no que diz respeito à tecnologia?
Mercadante: O arranjo social da escola é do século 18. Os professores são do século 20 e os alunos, do século 21. Eles são nativos digitais. Temos que chegar no aluno. Começando pelo professor, a gente chega mais seguro. É inimaginável um professor do século 21 não poder entrar no Google. Isso vai mudar. Nós já vamos até aumentar a distribuição. Além de dar o tablet aos professores do ensino médio, vamos estender o programa para todos os alunos que participam do Programa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid). Os universitários que estão se formando e fazendo estágio na escola pública vão ter o equipamento, para que eles cheguem na escola preparados para trabalhar novas tecnologias para a educação. Fizemos um seminário com 27 grupos de pesquisa do País na semana passada e a avaliação da inclusão digital na escola é excelente. Estamos montando um relatório completo agora. Todos têm a avaliação de que o processo gera motivação, criatividade, interatividade. É uma mudança de paradigma, que o Brasil tem de enfrentar.

iG: O senhor falou da importância de valorizar o professor, dar estímulos, oferecer tecnologia e formação para que eles trabalhem melhor. Mas não é preciso dar melhores salários e carreira para que essa valorização ocorra?
Mercadante: Não há nenhuma tecnologia que possa substituir a relação professor-aluno, agora essa relação pode melhorar com boas tecnologias educacionais. A primeira forma de valorizarmos o professor hoje é cumprir o piso. Eu reconheço que é um reajuste forte e que há dificuldades reais. Agora, nós estamos falando em pouco mais de dois salários mínimos. Se nós quisermos ter professores de qualidade no Brasil, é preciso oferecer salários atraentes. Se não, tudo o mais que estamos falando não vai acontecer a médio prazo. Além disso, há a discussão da jornada, que deve ser um objeto de ampla negociação com os professores e entidades sindicais. A hora-atividade não pode ser tratada como uma questão trabalhista, desassociada de uma dimensão pedagógica.

O arranjo social da escola é do século 18. Os professores são do século 20 e os alunos, do século 21

iG: O MEC pode ajudar mais as prefeituras e os Estados a cumprir o pagamento do piso?
Mercadante: Nós repassamos, no mínimo, 60% do Fundeb para pagamento de salário. Tivemos um aumento significativo de repasse do MEC para Estados e municípios. O crescimento do orçamento do MEC foi exponencial nesses anos. Tudo isso é repassado na ponta. Temos de ter um pacto federativo em torno desse caminho. Temos outras responsabilidades a cumprir no apoio às prefeituras, como, por exemplo, as creches, a alfabetização na idade certa, o Pronacampo. Os investimentos tem de ser mantidos.

Rio Grande do Sul:
Justiça manda governo gaúcho pagar piso a professores

iG: O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, deu uma declaração polêmica sobre a opinião do senhor sobre o piso…
Mercadante: A regulamentação do piso salarial foi votada por unanimidade pelo Congresso Nacional em 2008. Depois, o Supremo Tribunal Federal julgou uma ação confirmando a legalidade da lei do piso. Os parâmetros que o MEC utilizou para calcular o reajuste nesses três anos estão na lei aprovada, amparados por um parecer técnico da Advocacia Geral da União. Eu reconheço que há dificuldades para cumprir o piso, em grande parte dos casos por causa da estrutura da carreira, mas a maioria dos Estados já encontrou caminhos para resolver. Acho que os recursos dos royalties do pré-sal podem ser uma boa saída para nos ajudar nesse sentido.

iG: O senhor acredita que com a proposta atual do relator do Plano Nacional de Educação no Congresso de investir 8% do PIB em educação essas contas fechariam?
Mercadante: Precisamos votar logo o PNE, agora, para mim, a discussão mais relevante, além da fixação desse patamar, é associarmos o pré-sal à educação. Pelo menos 30% dos royalties. A gente poderia começar com participação maior e diminuir ao longo do tempo, fixar durante um período da história do Brasil, depois podemos cuidar de outros temas.

iG: Existem propostas para federalizar a carreira do professor? O senhor acredita que essa seja uma boa opção para alavancar a valorização desse profissional?
Mercadante: O Brasil tem o território do tamanho que tem, porque construiu um pacto federativo continental. Há um comando constitucional de que a educação é feita em regime de cooperação, de complementação. O papel do MEC é de assessoria técnica e financiamento. Os professores dos municípios e dos Estados são concursados, têm direitos adquiridos, têm uma carreira em andamento, o que nós temos é que trabalhar em parceria. Ter um grande pacto e trabalharmos na mesma direção.

iG: O senhor havia falado em criar equipes de professores que visitassem as casas das crianças dentro do programa alfabetização na idade certa. Isso se mantém?
Mercadante: Nossa expectativa – mas essa definição será feita em cada município – é de que os bolsistas do Pibid, que chegarão a 45 mil este ano, possam fazer visitas domésticas, como se fosse um médico da família. Em vez de Saúde da Família, teríamos um Educação na Família. Visitar, conhecer o ambiente ajudariam esses universitários a saberem das dificuldades dos alunos quando entrarem na profissão. E poderia reforçar o acompanhamento pedagógico das crianças. Essa experiência foi muito exitosa onde já foi feita, como no Uruguai.

Mudanças na redação: Inep estuda ter 5 corretores em redações do Enem discrepantes

iG: O senhor já definiu mudanças para o Enem? Há uma meta de ampliação do banco de itens para este ano? E o que vai mudar na redação?
Mercadante: Na semana passada, 24 universidades estiveram trabalhando online, inclusive no final de semana, para reforçar o banco de itens e foi um sucesso espetacular. Reforçamos muito o banco. Vai dar muito mais segurança ao processo. Nossa meta é chegar ao padrão americano, com 100 mil itens. Eles demoraram 85 anos, nós temos de chegar antes, mas o número de itens é uma informação reservada do Inep para a segurança do sistema. Nós vamos mudar a correção da redação. Não temos ainda uma posição fechada. Criamos um comitê de governança do Enem, com participação das universidades e um comitê técnico-científico, com avaliadores convidados e a equipe do Enem. Eles estão discutindo algumas alternativas para dar mais segurança à correção e diminuir a dispersão das notas, além de fortalecer os corretores. A redação sempre tem alguma subjetividade, então estamos aguardando os estudos para poder bater o martelo. Ter

iG: O senhor assumiu o ministério com uma denúncia revelada pelo iG sobre irregularidades no Prouni e determinou mais transparência à divulgação de preços e descontos. O MEC vai fiscalizar o cumprimento da portaria?
Mercadante: Fizemos uma reunião com todas as associações e entidades do setor privado e eles se comprometeram em autorregular o padrão de fixação das normas exigidas pela portaria. Vamos fiscalizar e exigir. É muito importante dar transparência ao pagamento de matrículas, com esses dados disponibilizados para darmos mais segurança aos estudantes. Eles têm direito à informação. Antes de pensar em penalidades, o que nos interessa é assegurar que isso seja implementado.

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Em vez de se aposentar, professora forma campeões de matemática

Com o mesmo salário a que teria direito em casa, Botelho continua a lecionar e tem cada vez mais premiados em Olimpíada de Matemática

Desde que as Olimpíadas Brasileiras de Matemática para Escolas Públicas (Obmep) começaram, em 2005, a organização divulga quais são os professores com mais alunos premiados em todo o Brasil. A cada ano são cerca de 130 nomes. Quando a lista de 2011 foi divulgada, o iG procurou os listados em todas as sete edições e chegou a apenas três heptacampeões. Entre eles, uma professora que poderia estar aposentada, recebendo o mesmo salário em casa, mas todo ano assume novas classes – e nelas surgem campeões da competição.

Foto: Cinthia Rodrigues/iG

Maria Botelho e o ex-aluno Bruno Sá relembram resultados em Olimpíadas de Matemática

Maria Botelho Alves Pena, 51 anos, é professora da rede pública há 31 anos, os últimos 20 deles em Uberlândia, Minas Gerais. À façanha dela só se igualam Antonio Cardoso do Amaral, da pequena Cocal dos Alves, já conhecida por ser um fenômeno na Obmep, e José Luiz dos Santos, do Colégio Militar de Salvador.

Cada vez que a gente forma um medalhista, ele vai embora. Vão para a faculdade, às vezes para o exterior… Vão construir nosso futuro”

Mesmo neste seletíssimo grupo, uma desvantagem destaca a professora em relação aos demais hepta. Amaral acompanha os mesmos alunos do 6º ano ao ensino médio. Neste percurso, às vezes, um aluno é premiado várias vezes enquanto avança nos estudos e antes de se formar. José Luiz também tem o privilégio de trabalhar em uma instituição federal com alunos selecionados e recursos financeiros acima da média. A professora mineira atua em uma escola comum, a Messias Pedreiro, e com alunos dos últimos anos do ensino médio.

“Cada vez que a gente forma um medalhista, ele vai embora”, diz ela com um sorriso largo. “Vão para a faculdade, às vezes até para o exterior… Vão construir o nosso futuro”, explica orgulhosa.

Nas duas primeiras edições das olimpíadas ela trabalhava apenas com turmas de 3º ano. Em 2005, a escola teve 17 menções honrosas e um ouro. A medalha e a 14 menções vieram para alunos da Botelho, como é chamada por colegas e estudantes. Em 2006, foram 28 menções, um ouro e uma prata. De novo, medalhas e a maior parte dos premiados estudaram com ela.

Foto: Cinthia Rodrigues/iGAmpliar

Ficha da biblioteca de um dos alunos mostra que a pesquisa vai além da sala de aula

“Começaram a dizer que só dava para ganhar no terceiro ano, então eu peguei turma do segundo (ano do ensino médio) também”, conta. Logo, os premiados começaram a vir também desde o segundo ano. Agora, ela inscreve a escola inteira, alunos dela ou não, de todos os anos. “Alguém não quer participar?”, perguntou em uma sala de primeiro ano, na quinta-feira, após contar a história de sucesso da escola. Ninguém levantou a mão.

O que ela faz de diferente?

Perguntados sobre o que explicaria o desempenho da professora, seus alunos levantam hipóteses. “Ela adora o que faz, não para um segundo, está sempre cheia de livros e caixas. É até engraçado com aquele tamanho dela”, diz Steffn Borg, um dos premiados em 2009, se referindo ao 1,54 metro de altura da mestre.

Bruno Miranda de Sá, premiado com prata em 2010 e 2011, acha que é o incentivo a pesquisa. “Eu não sei se ela sabe mais que os outros professores, apesar dela saber muito, mas ela instiga a gente a se aprofundar. Traz sempre um exercício mais complicado para quem quiser evoluir no assunto”, diz.

O incentivo funciona. Cartões da biblioteca de ex-alunos mostram que a maioria dos livros emprestados são de matemática incluindo títulos como “Ensaios fundamentais”, “O romance das equações algébricas”, “A arte de resolver problemas” e “O último teorema de Fermat”. Alunos se reúnem fora do tempo de aula e até aos sábados para fazer exercícios extras.

Patrick Nunes Leite, de 16 anos, menção honrosa em 2011 e que agora está no último ano do ensino médio, acha que a professora se diferencia por dar importância a cada exercício ou dúvida. “Lembra aquela questão do Ita (Instituto de Tecnológico de Aeronáutica)?”, provoca.

Foto: Cinthia Rodrigues/iGAmpliar

Cerimônia de premiação dos destaques de 2011 na Obmep

Botelho conta a história: “Ele me aparece com questão de vestibular faltando cinco minutos para acabar a aula. Geralmente, quando são da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), eu nem ligo, porque conheço todas, mas era do Ita (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Eu ia dizendo ‘ai’ quando o sinal tocou. No final, consegui achar o problema logo e mandei a resposta para ele”, diz ela e o aluno completa: “Ela colocou no meu facebook em minutos, sendo que era algo totalmente fora da aula dela”, diz.

Motivação

Financeiramente, todo o trabalho de Botelho desde o ano passado é extra. Ela completou o tempo mínimo para aposentadoria, de 25 anos, em 2005. Na época, não podia se aposentar por não ter completado 50 anos de idade, o que ocorreu em 2010. “Eu tenho dois cargos de 24 horas cada. Me aposentei de um e outro mantenho para continuar lecionando. Por cada um, meu rendimento é exatamente o mesmo, R$ 1.500 cada”, conta.

Basta uma visita à escola para entender que a motivação dela vai além do salário. Na última quinta-feira, ela, os colegas e a direção preparam uma festa para anunciar os 53 premiados de 2011 (1 medalha de prata, 5 bronzes e 47 menções honrosas). A maioria dos alunos, já está na Universidade Federal de Uberlândia, mas veio apenas para a celebração. “Aquele ali está fazendo engenharia, aquele também. Tem um que passou para engenharia, mas preferiu cursar matemática”, vai apontando.

Foto: Cinthia Rodrigues/iGAmpliar

Raphael, menção honrosa e medalhista após ter sido reprovado antes de estudar com Botelho

Botelho também não sabe dizer o que faz de diferente. “É o feijão com arroz”, chega a dizer. Para ela, o que forma os campeões é o mesmo que a mantém ali: o ambiente. “A turma vai pegando um gosto por estudar e vai procurando fazer mais, ir mais longe, isso afeta os demais”, analisa.

Um exemplo que ela gosta de citar é o do ex-aluno Raphael Nunes Pacheco, que chegou a ser reprovado no segundo ano e era desinteressado pelos estudos. “Quando eu soube, peguei no pé dele. Um menino inteligente deste! Aí, falei para a turma: quero que vocês se encarreguem de acolhê-lo e puxá-lo para o grupo de vocês.” Em 2010 ele recebeu uma menção honrosa e, em 2011, uma medalha de bronze.

“Você não pode gostar de nada que não entende”, diz o ex-aluno que também voltou para a festa. “História e geografia ainda dá para você ir levando mais ou menos, mas a matemática precisa ser entendida inteira. O aluno só gosta depois que entende que um exercício complicado é útil e pode ser resolvido com fórmulas. Acho que essa beleza é que ela mostra para a gente.”

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Governo do Estado comemora entrega da 80ª Escola de Educação Profissional

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O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação, comemorou nesta quinta-feira (01º) a entrega da 80ª Escola Ensino Profissional no Ceará. A nova unidade será inaugurada às 19 horas, em Aurora, na Região do Cariri, nesta quinta-feira.  Para celebrar a data, a secretária da Educação, Izolda Cela, e os servidores da Seduc se reuniram para a comemoração. “Agradecemos a participação de todos no processo de implantação dessa rede que teve início em 2008, com 25 unidades, e agora atinge essa marca importante, atendendo em tempo integral 31 mil
jovens”, disse Izolda Cela. A meta é até o fim de 2014, esse número chegar a 140  unidades.

As escolas profissionais promovem a articulação do ensino médio com a formação para o mundo do trabalho.  O programa oferta uma habilitação profissional à juventude cearense que pode optar entre 50 cursos técnicos, com três anos de duração, pautados na vivência do protagonismo juvenil. No ano letivo de 2012, 95 Escolas Estaduais de Educação Profissional estarão em funcionamento. Esse programa de educação profissional é o maior do Brasil.

80_eep2_2As EEEPs funcionam das 7 horas às 17 horas. São modelos inovadores em conteúdo, método e gestão. Os estudantes contam com três refeições diárias, recebem uniforme escolar, livros didáticos e técnicos, apoio permanente à aprendizagem e à formação, além de disponibilidade de um ônibus com a capacidade para 32 pessoas que viabiliza atividades pedagógicas.

Os prédios apresentam uma área de 4,5 mil metros quadrados. Dispõem de 12 salas de aula, auditório para 201 lugares, biblioteca e dependências administrativas. Lá, os estudantes têm acesso a Laboratórios Tecnológicos, de Línguas, Informática, Química, Física, Biologia e Matemática. A comunidade escolar conta também com um ginásio poliesportivo e um teatro de arena. A construção segue o padrão estabelecido pelo MEC para escolas profissionais.

01º.03.2012

Assessoria de Imprensa da Seduc

Jacqueline Cavalcante ( jacquelinec@seduc.ce.gov.br / 85 3101.3972)

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MEC vai distribuir tablets para 598 mil professores

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Com o tablet, o professor poderá preparar as aulas, acessar a internet e consultar conteúdos disponíveis no equipamento – revistas pedagógicas, 60 livros de educadores, e os principais jornais do País

Governo quer que docentes dominem o uso do equipamento antes que o dispositivo chegue aos alunos
A partir do segundo semestre deste ano, o Ministério da Educação (MEC) deve iniciar a distribuição de tablets para 598.402 professores da rede pública de ensino em todo o País. O uso dos dispositivos nas escolas públicas vai começar pelos professores do ensino médio.

Os primeiros da lista são os professores de escolas que já têm internet em alta velocidade (banda larga), que somam 58.700 unidades. A ideia é fazer com que o computador portátil chegue a 62.230 escolas públicas urbanas.

Para o MEC, o programa tem mais chances de sucesso se o professor dominar o equipamento e o seu uso, antes de chegar ao aluno. “A inclusão digital tem que começar pelo professor. Se ele não avançar, dificilmente a pedagogia vai avançar”, disse o ministro Aloizio Mercadante, que assumiu recentemente a pasta da Educação. Cursos de capacitação presencial e à distância vão ser oferecidos ao professor, assim que o aparelho começar a ser distribuído.

Com o tablet, o professor poderá preparar as aulas, acessar a internet e consultar conteúdos disponíveis no equipamento – revistas pedagógicas, 60 livros de educadores, principais jornais do país e aulas de física, matemática, biologia e química da Khan Academy, organização não governamental (ONG) que distribui aulas online usadas em todo o mundo.

As aulas preparadas no tablet, segundo o ministro, serão apresentadas por meio da lousa digital, espécie de retroprojetor combinado com computador, que muitas escolas já usam desde o ano passado. No decorrer de 2011, foram entregues 78 mil desses equipamentos.

Para o ministro, a tecnologia do tablet, em que os comandos podem ser acionados por meio de toques na tela, é mais “amigável” para leitura e acesso à internet em comparação a outros computadores. Com a novidade, Mercadante espera também tornar a sala de aula mais atrativa para os adolescentes. “O ensino médio é o grande nó da educação. Os indicadores não são bons e a evasão escolar é alta. A escola não está atrativa para o jovem. Esses equipamentos fazem parte do esforço para melhorar o ensino médio”, diz o ministro.

Investimento

Para levar o tablet à sala de aula, o MEC irá desembolsar de R$ 150 milhões a R$ 180 milhões para comprar até 600 mil unidades este ano. Em dezembro passado, o ministério abriu licitação para a aquisição de 900 mil aparelhos de fabricação nacional, de 7 e 10 polegadas, com câmera, microfone e bateria de seis horas de duração.

O governo pagará quase R$ 300 pelo tablet de 7 polegadas e aproximadamente R$ 470, pelo de 10 polegadas. No mercado, conforme o ministério, o equipamento de 7 polegadas custa cerca de R$ 800.

Apesar do processo de compra ter sido iniciado no ano passado, Mercadante destaca o programa como uma de suas primeiras ações no comando do ministério. “Esse programa foi desenhado nesse período que estou aqui”, disse, explicando que a gestão do antecessor, Fernando Haddad, lançou o edital de compra para atender a pedidos de estados e municípios.

As empresas Digibras (do Grupo CCE) e a Positivo venceram a licitação. O contrato deve ser fechado somente em abril, após o Inmetro avaliar se os produtos atendem às exigências do edital.

Depois de distribuir para os professores do ensino médio, o ministro quer entregar os aparelhos para os docentes do ensino fundamental. Ainda não há previsão sobre quando os alunos receberão o equipamento.

Apesar da chegada do tablet nas escolas, o ministro Aloizio Mercadante garante que isso não significa o fim do programa “Um Computador por Aluno” (UCA), que já distribui laptops aos estudantes da rede pública de ensino.

Preço

300 reais é o custo de cada tablet de 7 polegadas que será comprado pelo governo, enquanto o modelo de 10 polegadas sairá por R$ 470

800 reais é o preço, no mercado para o consumidor final, do mesmo tablet de 7 polegadas a ser doado pelo governo federal aos professores

´Hardware é o que menos importa´

Especialistas concordam que o sucesso do uso das tecnologias em educação não depende apenas da plataforma utilizada, mas sim da forma como a escola irá inserir essas ferramentas no aprendizado e também dos conteúdos digitais disponíveis.

A diretora da Fundação Pensamento Digital, Marta Voeclker, aponta que a escola pode “mudar de paradigma” a partir da tecnologia. Ela ressalta que o uso das máquinas – seja um PC, laptop ou tablet – pode transformar a lógica do aprendizado.

Alunos deixam de ser meros “recebedores” de conteúdo e podem evoluir para autores. “A tecnologia nos ajuda a sair de uma educação por instrução e memorização para uma educação de construção e colaboração”, explica a especialista.

Marta defende que o “hardware” não importa tanto. O essencial é ter à disposição ferramentas que possibilitem um uso educacional de laptops e tablets para que as máquinas não sejam meros reprodutores do conteúdo dos livros didáticos.

A especialista ressalta, entretanto, que essa transição da escola analógica para a digital precisar ser feita aos poucos. Leva tempo e exige uma reflexão da sociedade a respeito do que se espera da escola.

Para Ilona Becskeházy, diretora da Fundação Lemann, a primeira e principal estratégia é buscar conteúdos. “Se você não selecionar conteúdo de alto padrão, tanto faz se é papel, lousa, ou tablet. E isso a gente não faz no Brasil. A lógica deveria ser: primeiro você busca o conteúdo e depois você procura como é a melhor maneira de distribui-lo. Se ele for bom pode ser até um mimeógrafo”, critica.

Em 2012, pela primeira vez, o edital do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra dos livros didáticos que são distribuídos às escolas públicas do país inclui a possibilidade de aquisição de conteúdos em formato digital.

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