Sertão, serra e mar na mesma cidade é principal diferencial de Itapipoca

Cidade cearense é conhecida como terra dos três climas. A 130 km de Fortaleza, destino tem passeios para todos os gostos.

Alessandro TorresPraia da Baleia, CE

A cidade cearense de Itapipoca é conhecida como terra dos três climas: ela reúne sertão, serra e mar. Em cada lugar, há um tipo de passeio diferente, para todos os gostos. Localizada a 130 km de Fortaleza, o destino fica na direção do litoral oeste do estado.

Quem quer conhecer o sertão, partindo do centro de Itapipoca, pega 20 km de estrada asfaltada mais 16 km de estrada de terra para chegar em Jirau. No local, o tanque natural lembra uma grande piscina e concentra fósseis de mamíferos que viveram há até dez mil anos atrás.

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“O visitante sempre tem a oportunidade de observar e, às vezes, até de participar de uma pequena coleta de fósseis dentro deste tanque. Ele é como um laboratório da paleontologia”, afirma o paleontólogo Silvio Teixeira.

Subindo a serra, outro clima e outros programas: na região da Canoa, a 10 km do centro, estão os balneários.

Na volta, o destino é a Praia da Baleia: o terceiro clima. No percurso, lagoas rodeadas pelas dunas indicam a chegada. São 4 km de enseada e uma faixa de areia que, dependendo da maré, chega a 100 metros de largura. O mar é calmo, sem ondas fortes e reflete a tranquilidade do lugar.

Dormir e acordar neste paraíso, custa a partir de R$ 60, a diária. A base dos pratos típicos são peixe e camarão, tradição do nordeste brasileiro. Um prato custa em média R$ 30.

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Fortaleza tem 17 pontos de praia próprios para banho

FORTALEZA

Ponte dos Ingleses | foto: divulgação Setur Ce

Ponte dos Ingleses | foto: divulgação Setur Ce

Foto do blog do clauderioaugusto.com.br

Dezessete pontos de praia foram considerados próprios para banho nesta semana, de acordo com o boletim de balneabilidade divulgado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) na orla de Fortaleza. A maior parte dos pontos próprios se encontram no chamado setor leste: a faixa de praia que vai do Caça e Pesca ao Farol.

O programa de balneabilidade da Semace atende aos padrões da Resolução 274/00 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os padrões de qualidade exigidos para as águas destinadas à recreação de contato primário são de 1.000 coliformes termotolerantes para cada 100 mL de água nas últimas cinco medições, no máximo. As amostras são coletadas periodicamente às segundas-feiras, de 9 às 12 horas em todos os pontos.

Pontos Próprios
Barraca Arpão Praia Bar
Barraca Itapariká
Barraca Hawaí
Praça 31 de Março
Barraca América do Sol
Barraca Crocobeach
Clube de Engenharia
Barraca Beleza
Iate
Volta da Jurema
Final da Rua José Vilar
Ed. Vista del Mare
Ponte dos Ingleses (Ponte Metálica)
INACE (Ind. Naval do Ceará)
Marina Park Hotel
Início da Av. Philomeno Gomes
Kartódromo
Barra do Ceará

Pontos Impróprios

Caça e Pesca
Início da Rua Ismael Pordeus
Farol
Mucuripe
Estátua de Iracema
Edifício Arpoador
Ideal Clube
Início da Av. Pasteur
Colônias
Horta

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MADRI ABRE PASSARELA CRIADA POR PERRAULT

A Espanha parece estar se especializando em trazer ao mundo intervenções arquitetônicas capazes de mudar a cara de seus parques e praças. Poucas semanas depois da abertura do“waffle” de Sevilha, agora é a vez de Madri apresentar um projeto que tem tudo para se tornar um ponto de atração de turistas e locais: a passarela de Arganzuela, jóia do novo Parque Arganzuela, projetada pelo arquiteto francês Dominique Perrault e inaugurada há menos de um mês.

Tudo começou quando a prefeitura da capital espanhola decidiu revitalizar a região das margens do rio Manzanares, 11 anos atrás. No distrito de Arganzuela, o rio era ladeado por uma via expressa chamada M30, que passou os primeiros anos deste século sendo enterrada e transformada em túnel. Com a “marginal” do Manzanares removida, foi realizado um concurso de arquitetura e urbanismo para a construção de um parque. Perrault não ganhou a competição, mas foi convidado pela prefeitura para criar a passarela.

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Do convite resultou um passeio tubular cindido ao meio de mais de 250 metros de comprimento, estrategicamente colocado entre duas pontes pré-existentes, Praga e Toledo, ambas ligando a zona sul ao centro de Madri. Concebida tanto para pedestres quanto para ciclistas, a passarela constitui-se de dois enormes cones metálicos, que atravessam o parque ao mesmo tempo que oferecem um portão de entrada para ele.

A direção dos cones é levemente deslocada uma da outra, fazendo com que eles não se encontrem no centro. O desvio estabelece também um diálogo entre a construção e a topografia irregular da região. Feitas de aço, as duas metades da passarela se apóiam, cada uma, em estruturas localizadas em suas extremidades – o que dá a impressão de estarem flutuando no ar perto do ponto onde quase se tocam. Tramas metálicas espalhadas pelos vãos da espiral que envolve a ponte criam jogos de luzes e sombras que variam durante o dia.

Detalhes técnicos à parte, o que vale mesmo é que Madri acaba de ganhar mais um local onde as pessoas podem se encontrar, descansar, e principalmente, admirar a cidade de um ponto de vista privilegiado.

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VILAREJO OCUPA ILHA EM FORMA DE ESTRELA

Em países como o Brasil, os antigos fortes militares estão concentrados no litoral, rodeados por matas, montanhas e belas praias. Na Europa, porém, as fortificações se espalham principalmente pelo interior, em paisagens que nada têm de tropical – o que não as torna menos belas. É o caso do simpático vilarejo de Naarden, no norte da Holanda, uma ilha artificial em forma de estrela que atrai milhares de turistas todos os anos.

A história desta que é uma das mais bem preservadas vilas do gênero remonta ao século 13, quando o local foi fortificado. Isso aconteceu porque Naarden ocupava uma posição estratégica, no meio do caminho que liga a capital Amsterdã ao lesta da Europa. Já a construção dos canais que definem o seu formato veio depois.

No século 17, o local foi usado pelos franceses como base  para dominar os Países Baixos. Os holandeses, porém, abriram as comportas de seus canais e inundaram a maior parte do território, isolando a fortificação e, por conseqüência, os invasores. Com o fracasso da operação empreendida pela França, em 1673, nascia a Naarden que se vê até hoje.

Desde então, o local recebeu uma série de melhorias que lhe deram as feições atuais. Por conta do avanço da indústria bélica, porém, as instalações militares de Naarden foram desativadas no final do século 19. E, a partir daí, o local se tornou patrimônio arquitetônico holandês e, sem dúvida, um dos mais pitorescos destinos da Europa.

(Clique em qualquer uma das imagens para vê-las em galeria)

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Viajar na baixa estação pode trazer descontos de até 40%

Dependendo do destino, o consumidor que viajar entre março e o início de junho pode economizar valores significativos

Teatro Amazonas

Beach Park – Fortaleza


Cristo Redentor – Rio de Janeiro
Viajar durante a baixa temporada do turismo é difícil, principalmente pela falta de tempo livre. No entanto, para aqueles que conseguem alguns dias de folga e estão dispostos a visitar outros lugares, esta é uma época em que fica muito mais fácil economizar, especialmente pela baixa demanda nas agências, que passam a oferecer pacotes promocionais, para destinos nacionais e internacionais, com descontos que chegam até 40%.

A Casablanca Turismo, por exemplo, promove, a partir de amanhã, a quarta edição do seu Feirão de Viagens, que segue até sábado, 31. Durante esse período, todas as lojas da agência em Fortaleza estarão com descontos em passagens aéreas, diárias em hotéis, cruzeiros e pacotes para diversos lugares do mundo.

“Na lista de pacotes promocionais ofertados no Feirão de Viagens, o Leste Europeu possui um dos maiores descontos. Toda a parte terrestre sai a partir de R$ 1.225,00 por pessoa, valor 40% mais barato se comparado à alta estação, e que inclui oito dias pelas cidades de Praga, Bratislava, Viena e Budapeste”, diz o gerente de vendas da Casablanca Turismo, Cláudio Réges.

No Brasil, as Serras Gaúchas também figuram entre as ofertas do Feirão de Viagens. O roteiro terrestre poderá ser encontrado por R$ 459,00 com passeios e quatro noites de hospedagem inclusos. Para quem quer ir mais perto, o Feirão terá pacote de dois dias em Jericoacoara por R$ 193,00 com hospedagem e transporte saindo de Fortaleza.

Passagens aéreas

Em parceria com a TAM, a Casablanca Turismo também promete descontos especiais nas passagens aéreas da companhia. “A ideia é que as tarifas estejam 15% mais baratas do que na internet, inclusive com Fortaleza sendo contemplada juntamente com diversas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo. O período para viajar vai até 30 de junho e a promoção será válida apenas nas lojas da agência”, conta Cláudio.

O gerente da Casablanca Turismo também diz que, com as ações promocionais, a empresa espera um crescimento de 24% nas vendas, se comparado a igual período de 2011.

Nordeste muito procurado

De acordo com a assessoria de imprensa da CVC, o Nordeste em geral é um dos destinos mais procurados na baixa temporada, especialmente Fortaleza, Porto de Galinhas (PE), e Costa do Sauipe (BA). A empresa oferece em média descontos de 30% a 40% para a região, mas atualmente investe em promoções voltadas para grandes cidades europeias, tais como Paris, Londres, Madri, Milão e Frankfurt.

Também em parceria com a TAM, a CVC aposta em pacotes que já incluem as passagens aéreas. Um pacote de cinco dias em Londres, na Inglaterra, por exemplo, está a partir de 1.080 euros por pessoa, podendo ser parcelado em até dez vezes sem juros (válido para saídas entre 15 de abril e 20 de junho).

Para Paris, a CVC oferta um pacote que inclui passagem aérea de ida e volta, além de quatro diárias no My Hotel In France Opera Saint Georges sai por 1.088 euros por pessoa, também podendo ser parcelado em até dez vezes sem juros (válido para saídas até 31 de março).

Destinos nacionais

Apesar dos descontos e facilidades para realizar uma viagem internacional, o diretor da Discovery Tour, Ricardo Lemos, afirma que é mais vantajoso conhecer destinos nacionais. “Este é o melhor momento para quem quer viajar pelo Brasil, pois as empresas aéreas fazem promoções de passagens com super descontos para quem compra com antecedência. Um bilhete aéreo pode sair até pela metade do preço do valor normal e os hotéis seguem a mesma linha”, explica.

“Na alta estação, passagens de ida e volta para o Rio de Janeiro, partindo de Fortaleza, ficam em média R$ 1.100,00, podendo serem compradas nesta época por até R$ 500,00″, conclui.

Vantagens

500 Reais é quanto pode custar um bilhete aéreo (ida e volta) de Fortaleza ao Rio, na baixa estação

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Freiras enclausuradas exibem presépio guardado há três séculos no Equador

Guardado durante 306 anos entre os grossos muros do convento de clausura do Carmen Bajo de Quito, um presépio de cerca de 500 peças feitas no século 18 se transformou em uma das principais atrações na capital do Equador e pretexto para uma aproximação à vida contemplativa das carmelitas.

As freiras carmelitas abriram as portas do convento ao público para que aprecie as figuras em uma sala dedicada completamente ao presépio natalino.

A cena que representa Herodes e suas dançarinas compreende bonecas de madeira com as quais brincavam as noviças que, no século 18, entravam muito cedo na ordem, segundo explica Lorena Albán, guia da exposição.

Jose Jácome – 23.dez.11/Efe
Presépio de cerca de 500 peças feitas no século 18 se transformou em uma das principais atrações na capital do Equador
Presépio de cerca de 500 peças feitas no século 18 se transformou em uma das principais atrações em Quito

“As meninas de 13 ou 15 anos entravam como um dote que a família dava à igreja. Chegavam com suas bonecas de madeira e elas as vestiam”, relatou.

No entanto, devido à austeridade exigida nas celas, as noviças não podiam ter consigo suas bonecas, por isso que passaram a fazer parte do presépio.

Além dessas bonecas e das peças em madeira da Escola Quiteña, de alto perfeccionismo, também aparecem figuras doadas de porcelana que destoam do conjunto.

O presépio encena a anunciação do arcanjo Gabriel à Virgem Maria, a visita de Maria a sua prima Isabel, o nascimento de Jesus, sua apresentação no templo e sua perda nesse mesmo templo anos depois.

Todas estas cenas são recriadas em diferentes regiões do Equador e oferecem uma mostra dos diferentes estilos arquitetônicos.

ROTINA DO CONVENTO

“Foi uma oportunidade para poder compartilhar todo este tesouro que nossas irmãs cuidaram em gerações passadas. Enche-nos de alegria que os demais possam apreciar toda esta habilidade”, disse Raquel de Santa Teresita, 52, que superou sua timidez perante as câmeras da imprensa.

A religiosa, que passou 33 anos enclausurada, contou que o presépio “sempre esteve bem resguardado”, mas a passagem do tempo e as traças o afetaram, e que uma restauração será necessária.

Jose Jácome – 23.dez.11/Efe
Freiras carmelitas abriram as portas do convento ao público para que aprecie as figuras em sala dedicada ao presépio natalino
Freiras carmelitas abriram as portas do convento ao público para que aprecie objetos em sala exclusiva

A visita de centenas de pessoas alterou a vida das 13 freiras, a mais nova de 18 anos e a mais velha com 91, pois abriram ao público parte do convento, construído no século 18 –embora tenham reservado o claustro para sua vida contemplativa.

Os visitantes podem apreciar o presépio que está em uma sala sobre uma pequena escadaria e coberto por um vidro, mas também puderam descobrir algo sobre o estilo de vida das freiras, graças a um percurso guiado.

Na saída dessa sala, um corredor emoldurado por grossos muros e arcos que deixam ver um pequeno jardim leva a um quarto.

Nessa fria cela se aprecia uma cama pequena, uma mesinha com a bíblia e outros livros, uma pequena jarra para a água do asseio, cilícios pendurados na parede e um manequim com a vestimenta tradicional das freiras carmelitas.

O percurso pelo silencioso convento continua, entre esculturas e quadros também do século 18, rumo ao coro alto.

As cores pastel usadas no mural do coro lembram os artistas do século 19 que pintaram a iniciação da ordem dos carmelos no século 7.

Do coro, que conta com um órgão italiano do século 19, que já não usam, se observa a igreja do Carmen Bajo, situada no centro histórico de Quito, catalogada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

As religiosas também abriram ao público seu refeitório despojado de móveis e decorado com outro presépio elaborado há meio século em madeira e papel. Ali as freiras vendem produtos feitos por elas como escapulários, rosários, bolachas, cremes e águas para a limpeza facial.

O percurso também leva à entrada do cemitério onde se enterra as religiosas da ordem. “Cabe a frase que daqui nem morta me tiram”, comentou a guia Lorena.

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Convite para a XIX Regata de Canoas da Praia da Baleia – Itapipoca

Convite da XIX Regata de Canoas da Baleia - Itapipoca

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Trairi e suas belezas encantadoras

No centro da vastidão da Costa do Sol Poente encontra-se um dos mais belos destinos turísticos do litoral Oeste cearense. Entre praias emolduradas por vasto coqueiral, rio, piscinas naturais e dunas, os visitantes encontram as praias Do Trairi.Praias se sucedem a Leste e a Oeste de Fortaleza num visual de encher os olhos. O turista não para de chegar e descobrir um mar de opções de lazer e entretenimento. Mas, agito não é tudo nos momentos de folga prolongada. Cada vez mais viajantes buscam destinos de paz e tranquilidade, onde a interação com a natureza faz a diferença.

O litoral do município de Trairi é um desses destinos. À beira-mar, a natureza ecoa em sons que ditam as regras de convivência pacífica e se mostra num recorte singular, englobando enseadas, foz de rio, dunas branquíssimas, lagoas de águas cristalinas e coqueiral.

Ecologistas, românticos e pessoas ansiosas por um lugar calmo para descansar e fugir do estresse encontram um porto seguro na costa do Trairi, onde vento e sol repõem as energias. No ambiente natural preservado de colônias de pescadores, a rusticidade é outro charme que apaixona. Mas, não faltam opções confortáveis de acomodação, além de points onde se saboreia inúmeras delícias da culinária pesqueira.

As praias ficam a poucos quilômetros da sede do município. É só escolher entre Guajiru, Flecheiras, Emboaca e Mundaú, numa extensão de 36 quilômetros. Como as praias são próximas, dá para curtir os atrativos de todas. É esse o prazer maior de conhecer a costa do Trairi. Tudo é perto e de fácil acesso pelas ramificações da Rodovia Estruturante.

Um abraço na natureza

Na chegada ao litoral do Trairi, a estrada se divide em duas. O viajante escolhe o caminho a seguir. À esquerda ou à direita, viverá momentos inesquecíveis

A propaganda oficial destaca: Trairi abriga três das mais belas praias do litoral Oeste cearense. Guajiru, Flecheiras e Mundaú são as estrelas do turismo no lugar. Emboaca completa a constelação. Nesse universo natural, o visitante se entrega aos prazeres do lazer tranquilo e respira uma atmosfera de descanso e paz, integrando-se ao cenário.

Para a chegada às praias do Trairi, o visitante passa pela sede do município. Vale a pena dar uma paradinha e conhecer a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento, a padroeira da cidade. Bênçãos recebidas, a ordem é jogar-se ao mar do município, sem pressa de partir. O estresse fica na curva da estrada. O turista encontra o seu reduto praiano.

A estrela maior do Trairi é Flecheiras. Cenário de programações de sucesso na telinha, a exemplo do reality show No Limite, a praia estruturou-se para bem receber os turistas que começaram a chegar. Mas, não abriu mão de suas características rústicas. Manteve o bucolismo de pequena vila de pescadores e uma aura primitiva, retratada no vaivém das jangadas e nos currais de pesca próximos à costa. É justamente isso que encanta os visitantes.

O maior atrativo de Flecheiras são as piscinas naturais que se formam em maré baixa, quando se mostram arrecifes junto à costa. O momento é de festa para adultos e crianças, que brincam com os peixes coloridos em profusão nas porções d´água. Para os viajantes mais aventureiros, os esportes náuticos são uma excelente pedida. Kitesurf e windsurf são os preferidos.

Nativos oferecem passeios de jangada e paquete pelas águas de Flecheiras, num aperitivo para o desbravar das dunas que emolduram a praia. O passeio em direção ao alto é um convite à contemplação do pôr do sol a cada fim de tarde e à descoberta de lagoas de águas límpidas escondidas na vastidão de areia. Dunas petrificadas formam cenários intrigantes, como a Pedra da Índia, uma referência às índias que, em tempos remotos, desciam os morros para pescar com flechas. Daí, a denominação da praia.

Hotelaria

Trairi tem 51 empreendimentos hoteleiros distribuídos pelos 36 quilômetros de litoral. Flecheiras abriga a maior parte deles. A rusticidade abre espaços generosos para a modernidade em hotéis e pousadas, onde a culinária é um capítulo à parte. Pratos à base de peixes e frutos do mar em forma de receitas saborosas povoam os cardápios e convidam o turista a deleitar-se com os prazeres da boa mesa praiana.

Junto da praia de Flecheiras fica a pacata Guajiru, que preserva sua beleza nativa. Dunas brancas se destacam na paisagem e se unem à vasta faixa de areia da praia, salpicada de jangadas e outras pequenas embarcações. A pescaria ao lado dos nativos é uma das opções de lazer. A contemplação inebria a alma.

Mas, o melhor de tudo em Guajiru é caminhar à beira-mar de pés descalços, entregando-se ao abraço da natureza. De volta ao convívio social, o visitante se integra àquela gente hospitaleira, que adora um bate papo e mostra seu talento em peças utilitárias e decorativas. Pousadas aconchegantes erguidas junto ao mar formam a infraestrutura de receptivo.

À esquerda da estrada que conduz ao litoral trairiense, apresentam-se as praias de Emboaca e Mundaú. Na primeira, a estrutura de receptivo se resume a pequenas barracas e um restaurante rústico. Jangadas e barcos à beira-mar complementam a paisagem relaxante.

O viajante encontra uma melhor estrutura em Mundaú, dotada de hotéis e pousadas aconchegantes. A praia, de águas calmas e cristalinas, emoldurada por dunas e coqueiros, convida para temporadas de lazer e descanso.

A Praça do Mirante é o ponto de encontro da comunidade e local de contemplação do encontro do mar com o Rio Mundaú. Dali partem catamarãs para passeios pelo rio, num visual que inclui dunas, salinas, manguezal, ilhas e aves exóticas. Ainda no lugar, o visitante faz passeios de charrete, buggy e a cavalo, além de manter contato com pescadores artesanais e com as mulheres rendeiras. Elas exibem peças que surgem da manipulação dos bilros por suas mãos habilidosas.

Nativos e empreendedores do litoral do Trairi saúdam a presença dos visitantes, dão boas-vindas e esperam o breve retorno diante do cenário de beleza, o conforto das acomodações, a culinária e um item importante: a segurança nas praias. O tráfego de veículos é proibido na beira-mar, abrindo espaços para caminhadas tranquilas e brincadeiras em família e com os antigos e novos amigos.

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Icarai de Amontada: Turismo nas asas do vento

O kitesurf é a grande pedida na principal praia de Amontada
Até pouco tempo, a comunidade tinha a pesca como principal atividade.

Mas, a mistura de belas paisagens, tranquilidade e sol, temperada na dose certa pelo vento constante e perfeito para velejar, mudou essa realidade. O destino entrou, definitivamente, para o mapa do turismo

O segundo semestre do ano já começou e eles estão chegando. Centenas de praticantes de kitesurf e outros esportes náuticos de várias partes do mundo desembarcam em Icaraí de Amontada em busca de calor, águas calmas e, principalmente, daquele vento ideal para deslizar ou para manobras radicais ao bel-prazer do desportista. O turismo náutico impera de sol a sol.

Não se sabe ao certo quem foi o desbravador do lugar e o descobridor da verdadeira vocação da praia. Na verdade, isso pouco importa. O certo é que a notícia correu o mundo e Icaraí de Amontada ganhou novas línguas, sotaques vindos de longe. Hoje, atletas profissionais e amadores apaixonados pelo kitesurf, pelo windsurf e outras práticas náuticas invadem a praia a cada nova temporada dos ventos e se harmonizam com os nativos, vitaminando a economia do lugar, proporcionando emprego e renda.

Na praia, inserida na Costa do Sol Poente do Ceará, a 220 quilômetros de Fortaleza, os forasteiros afirmam: os cearenses não sabem o que estão perdendo. Eles têm razão. Vento refrescante, mar límpido, larga faixa de areia, dunas, lagoas, coqueirais, sons da natureza no compasso do sossego, gente hospitaleira de sorriso largo e os sabores da culinária pesqueira. Tudo isso se encontra ali.

Icaraí de Amontada ou simplesmente Icaraizinho, como chamam os nativos, é mesmo um recanto tropical para se desfrutar momentos de liberdade em harmonia com a natureza.

A estrutura de receptivo une rusticidade e requinte, favorecendo o aconchego e o descanso que revigora e oferece novas energias para desbravar o lugar, cair na água e velejar ou simplesmente conferir o talento dos desportistas de plantão. De repente o céu se enche de cores, nativos e visitantes observam novas aquarelas para o turismo e se deixam levar pelo vaivém das águas e o balé eólico que impulsiona velas e aquela gente que ama vento, mar e sol.

ICARAÍ DE AMONTADA

Ao bel-prazer dos ventos

Point de praticantes de esportes náuticos, a praia do município de Amontada ganha espaço entre os que buscam destinos de paz e tranquilidade

Vento que balança as palhas do coqueiro, que encrespa as ondas do mar. Dia após dia, sopra forte, refrescando a rotina no lugar. Em Icaraí de Amontada, era sempre assim. Mas, os ventos da mudança chegaram, alterando os rumos do destino. Antes um canto quase esquecido do litoral Oeste do Ceará, a praia foi descoberta para o turismo a partir da chegada de amantes do kitesurf e windsurfe. Acostumados a correr o mundo em busca de novos “points”, afinal encontraram um porto seguro. Icaraizinho virou ponto de parada obrigatória na temporada dos ventos.

A cada ano, os forasteiros começam a chegar à praia a partir de julho e não têm pressa de partir. O vento propício aos esportes náuticos no cenário ensolarado é a senha para ocuparem Icaraízinho, transformando em realidade o seu sonho tropical. Aos primeiros raios de sol, lá estão eles, singrando à beira-mar com suas velas e pipas coloridas, num espetáculo de matizes. Quem não tem intimidade acompanha as manobras da areia, ao som de ritmos harmonizados com o balanço do mar. O balé nas águas fica em cartaz até o pôr do sol e recomeça no novo dia.

Mas, Icaraí de Amontada não encanta apenas desportistas dos verdes mares. Consegue seduzir a todos pelos seus encantos naturais. O cenário é perfeito para quem gosta de desfrutar da sensação de plena liberdade na companhia da natureza. Em passeios sem pressa, com paradas para o banho de mar refrescante, o visitante aprecia toda a beleza da praia, pontilhada de coqueiros, dunas e lagoas.

Orgulhosos do seu cantinho, os nativos fazem questão de mostrar tudo e ensinam caminhos de descobertas na praia em que o primitivismo fascina. O ponto de partida pode ser a beira-mar ou a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, na singela Praça dos Navegantes, local de encontro da comunidade. Na vila, a vida corre mansa e o comércio cresce lento, mas constante. O turista se integra à rotina do lugar e encontra o artesanato regional e utensílios indispensáveis em temporadas de férias.

O visitante tem a comodidade de acomodar-se em pequenos hotéis e pousadas, a maioria instalados à beira-mar. Os meios de hospedagem contam com estrutura apropriada para bem receber e oferecem opções de passeios pela praia e arredores, além de cursos de windsurfe e kitesurf. Um passeio imperdível é conhecer a Lagoa da Várzea, a um quilômetro da vila e protegida por dunas brancas, um verdadeiro paraíso. Outra boa opção é percorrer trilhas em meio à mata nativa. Vale esticar o passeio até a deserta Lagoa da Sabiaguaba.

Eve Vieira é o único bugueiro no lugar. Ele organiza passeios por Icaraí de Amontada e redondezas e garante: “As pessoas se surpreendem quando conhecem a praia em todo o seu encanto. Percebem que o lugar é muito mais que apenas território privilegiado para esportes náuticos”.

Praia e rio

A seis quilômetros de Icaraí de Amontada fica a bucólica Moitas, onde barquinhos e canoas descansam na areia. A praia não dispõe de infraestrutura turística. Mas, é ali que está localizada a foz do Rio Aracatiaçu. Um passeio de balsa leva o visitante à nascente do rio. A pequena embarcação passa por mangues e fazendas de criação de camarão até alcançar o distrito de Mosquito, que se esconde entre dunas. Outra atração nas proximidades de Icaraizinho é a praia de Caetanos e suas dunas que escondem mais de 40 lagoas. A culinária inclui pratos exóticos, como moqueca de arraia e cação ao molho de coco.

De volta à vila, é hora de novo banho nos verdes mares, que ali, apesar dos ventos fortes, são calmos e convidativos para um mergulho. Em maré baixa, formam-se piscinas naturais, onde famílias fazem a festa.

Na hora da fome, os restaurantes são poucos, mas bem cuidados. É o momento de saborear pratos à base de peixes e frutos do mar, com destaque para as porções de camarão e ostra. A água de coco gelada acompanha a refeição e as frutas da estação são a pedida para a sobremesa.

O dia se vai e a noite traz mais calmaria ao lugar. O bate papo descontraído é a melhor pedida até a hora do sono reparador. No dia seguinte, tem mais windsurf e kitesurf, mas o turista já sabe que a diversão no mar é apenas uma das muitas maneiras de se divertir no território dos ventos.

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Blogueiro Alexandre Mulato conta a história dos 300 anos da Igreja de Almofala – Itarema – CE

Blogueiro Alexandre Mulato
Olá Amigos!!
Bem vindos ao meu blog! Obrigado pela visita.

Como artista plástico, músico e amante da cultura, tenho um enorme prazer de compartilhar com vocês, a incrível história de Almofala e sua igreja bicentenária, que por 45 anos ficou soterrada por uma enorme duna. Uma história cheia lendas, mistérios e curiosidades. Confiram!

Ah! Espero também que apreciem minhas humildes obras desenhadas a mão que ilustram esse blog.
“Investir na cultura é evitar no futuro, danos à sociedade” .
Alexandre Mulato

Itarema deriva-se da lingua Tupi e significa literalmente “Pedra Cheirosa”. ITA ( Pedra) – REMA ( Cheiro). O municipio ganhou essa denominação devido a uma pedra localizada na costa, próximo à Praia do Farol do Itapajé, que na época de maré baixa ela emerge e que, segundo os pescadores, exala um cheiro agradável. Corre também o boato que segundo a lenda, é nesta mesma pedra que em noites de lua cheia uma sereia sobe e penteia seus longos cabelos. Ao sair da pedra, o lindo vulto deixa um perfumado aroma. Legal né?!!

Itarema é uma cidade rica em cultura. Logo sua origem está enraizada em três etnias: o branco (espanhóis e portugueses), o negro (africano) e o índio (Tremembé), ambos deixando na cidade além de seus saberes, um colorido muito especial.

Se você quizer conhecer os encantos de Itarema, sua história e suas lindas praias, então quando puder, venha nos visitar. localiza-se no Litoral Oeste, a 220 Km de Fortaleza. Falou?
Um abraço!!


ISTO ERA ALMOFALA

“Perdida no areial imenso uma capela branca de torres erguidas.
Capelinha poética de semblante ridente.
A alva areia fulgurando ao sol faz realçar mais ainda a igrejinha de neve, risonha e altaneira.
As brancas torres esguias apontando o azul puríssimo do céu.
Muito próximo o velho mar.
O velho mar que em tristes vozes profundas rola as ondas espumantes, entoando as nênias queixosas e os graves salmos de suas perpétuas litanias.
E pela nave deserta do templo de Deus reboa misteriosamente os cantos quais De Profundis e Laudamus de estranhas liturgias.
A fina espuma rendilhada das ondas que se quebram na praia se esgarça pelo ar num incenso leve em torno da graciosa igrejinha.
Cercam coqueiros farfalhantes e cujas frondes enfeitam os pássaros multicores.
E cada copa é como um cantinho de palco numa noite de ópera de suntuosa festa de arte.
Gorjeios, chilros, módulos, trinados, pipilos. Uma orgia de sons deliciosos.
Retalhos de óperas de Schubert, Wagner, Chopin, Bach, Beethoven.
Prelúdios maravilhosos de árias incomparáveis.
Baladas, fugas, sonatas.
E, como mala de virgens em procissão, duas filas de casinhas brancas, ladeando a igrejinha alvacenta e alongando-se pelo areial adentro…

Isto era Almofala”

Dinorá Tomás Ramos

Escrito por alemulato às 15h29
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O GUAJARA

Não se assuste com essa figura… Não é Moisés, nem Antônio Conselheiro, nem tão pouco o Papai Noel, trata-se do Guajara ou Pai do Mangue, uma lenda viva em Itarema que habita nos mangues de Almofala.
O Guajará é uma espécie de fantasma travesso, aparece sempre rapidamente; ou mesmo nem aparece; apenas uma sombra. Aliás, dizem que ainda aparece. Segundo os pescadores se alguém sair para pescar no mangue e de repente ouvir barulhos estranhos, assobios, cantigas, som de machado cortando o mangue, bolas de fogo, etc., pode voltar que nesse dia não se pesca absolutamente nada e, se por acaso, alguém desobedecer as regras, além de não pescar nada o indivíduo volta pra casa com febre, cansado e com dores por todo o corpo, com se fosse açoitado pelos galhos de mangue que o Guajara carrega na mão.
Para fazer boas pescarias e não ser atormentado pelo Guajará, é bom sempre levar um pouco de fumo e colocar nas raízes do mangue. Para alguns, o Guajará apresenta certa semelhança com o Saci e com o Caipora, duendes dos matos, apreciando-se, sobretudo, o espírito travesso, buliçoso, às vezes malévolo, com atitudes de assombramento. Para outros, como seu José de Fátima diretor do Museu de Itarema e guardião da memória, o Pai do Mangue (Guajará) se mostra como um velho de cabelos e barbas longas vestido com roupas velhas e rasgadas, pés descalços e com um cachimbo na mão.
Há muito tempo atrás em Almofala, uma velha índia Tremembé chamada Tia Chica relatou o seguinte, “O Guajará mora nos mangues… uma vez eu estava pilando milho, quando senti a mão-de-pilão pesar na minha mão. Ai eu olhei pra fora e vi a sombra de um grande pássaro, me vi aperreada e gritei pela minha neta. Eu juro que aquele pássaro era o Guajará, em uma de suas costumeiras traquinagens”.

Alexandre Mulato

ALMOFALA DOS TREMEMBÉ

O TOPÔNIMO
Segundo os estudiosos da lexicografia, a palavra Almofala é portuguesa, de procedência árabe – Al mohala – que significa aldeola e lugar onde se mora durante algum tempo.
O dicionarista Aurélio Buarque igualmente dá à Almofala o significado de acampamento, arraial, etc.

LOCALIZAÇÂO
A histórica povoação de Almofala, que pertence à jurisdição do municipio de Itarema, do Estado do Ceará, está localizada à margem esquerda do rio Aracati-mirim, perto de sua foz e dois quilômetros distante do oceano. Dista 12 quilômetros da cidade de Itarema e 220 quilômetros de Fortaleza.

POVOADORES
Relativamente à procedência da gente que formou e veio povoando Almofala, afora os índios Tremembé, tem-se informação de que, entre os estrangeiros que, aí pela primeira metade do século XVIII, desembarcaram na costa acarauense e aqui fixaram residência, um bom número deles se instalou naquele famoso povoado e localidades adjacentes.
Francisco Ewerton afirma, com sua reconhecida autoridade no assunto, que entre as ribeiras do Aracati-mirim, a cuja margem ocidental está situada Almofala, e do Acaraú, em que demora essa cidade, se estabeleceram diversos colonos portugueses, mais ou menos no meado do século XVIII.
O advogado Gabriel José Arcanjo, radicado no Rio de Janeiro, filho de Almofala e estudioso de sua História, nos dá ciência de que “Almofala foi crescendo, habitada por colonos portugueses e espanhóis e por índios”. E acrescenta: “Uma grande contribuição para o seu povoamento foi a criação do Porto dos Barcos, onde atracavam as embarcações que faziam o trânsito marítimo”.

ALMOFALA NA POESIA

Como é natural, diversos poetas têm escrito poemas sobre Almofala e sua lendária igrejinha. O inspirado bardo acarauense, Francisco José Ferreira Gomes, em seu apreciado livro “Menino da Barra”, dedicou-lhe esta linda poesia:
“Perdida nas areias brancas da praias do Atlântico norte
dorme Almofala dos Tremembé”.
“Dorme com seu Templo branco e barroco
que as areias alvas da cor de suas paredes bisseculares sepultaram
por quarenta e poucos anos”.
“Dorme, Almofala dos Tremembé,
com a tua Padroeira vindas das terras do Reino
no ano de mil setecentos e doze”.
“Dorme, Almofala dos Tremembé,
ponto inicial de civilização da Ribeira do meu Acaraú”.
Do professor poeta José Alcides Pinto, “ser fantástico e total que cura a nossa febre com as palavras sagradas do poema”, são essas primorosas quadras:
“E para que o nativo
tivesse pouso certo,
foi construída uma igreja
no litoral deserto”.
“Sobre a margem esquerda
do Aracati-mirim
próximo ao mar que cerca
e se acaba sem fim”.
“Do rio tomou o nome
qual foi plantado ao pé
essa missão reduto
do índio Tremembé”.
“Que logo se chamou
povoação de Almofala
com o destino de ser
lendária e legendária”.
“A princípio a capela
de palha era coberta
com esteios de barro
e de taipa completa”.
“Pouco tempo depois,
segundo a tradição,
foi levantada uma igreja
muito acima do chão”.
“Certamente o mais belo
templo do Ceará
desde o século 18
outro assim não terá”.
De outro docente-poeta, o professor José Silva Novo, são estes bonitos louvores rimados:
” Ó Almofala de meus ancestrais
Ermas, perdidas no areial das praias,
Como é solene o canto das sereias,
Como é gostoso o canto das jandaias”
“A tua igrejinha em pedra tosca
É uma relíquia tão bem encravada
Que as dunas caminhantes a cobriram,
Mas depois a deixaram aí chantada”
“Mas muito bem chantada a beira mar,
Olhando o mar azul esverdeado
Com saudades dos tempos que se aforam,
Com cheirinho cheiroso do passado”.

Escrito por alemulato às 15h28
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O MAR – A PRAIA – OS COQUEIROS
Em perto é o oceano majestoso e murmurante. São os “verdes mares bravios de minha terra natal” – imensurável campo de labutas do pescador afoito e confiante, pontilhado de velas enfunadas e brancas, semelhantes a enormes gaivotas, em vôos rasantes sobre a esteira verde das águas buliçosas. As ondas, às vezes se levantam, em vagalhões gigantescos, uivando e branindo, como feras na ânsia de sair da jaula pra a liberdade; outras vezes quase serenas rendilhadas de espuma luzidia, lembram sereias colossais, vestidas de maiôs de alvíssima cambraia, que vem se deitar na areia movediça daquela praia vasta, pitoresca e fascinante.
Aqui e acolá destaca-se no solo arenoso o alvacento perfil das dunas, de onde, aos constantes embates do vento que sopra do mar, se desprende uma areia fina que, em aluviões, sobe pelo espaço, e, geralmente, ruma para o ocidente, sem distanciar-se da orla marítima.
E um pouquinho além salienta-se a riqueza agrícola que produz aquele solo permeável e fecundo.
È a prodigiosa exuberância vegetal que se manifesta nas plantas frutíferas ali cultivadas por um povo de agricultores pacatos e amigos do trabalho; um povo que sabe fazer de sua profissão a verdadeira razão de ser de sua existência. E sabe tirar da terra o que a terra tema para dar.
Dominando os outros espécimes da flora agrícola, elevam-se dezenas de milhares de coqueiros, na pujança de seu caule perenemente erguido para o céu, com suas palmas viridentes, sacudidas pelos alísios lembrando novos Briaréus, agitando no ar os braços cor de esmeralda
“Coqueiros prestáveis,
Garçons gigantescos,
Com os ombros vergados de frutos,
Oferecendo refrescos”,
tal como disse o ilustrado sacerdote-poeta, Padre Osvaldo Chaves.
Os canaviais se ostentam pelos sítios, com seus pendões lourejantes, emprestando um novo colorido à paisagem e enriquecendo, ainda mais, aquelas paragens privilegiadas.
E, estendendo sobre o chão dadivoso um vasto tapete verde, feijoeiros, melancieiras, batateiras e outros, como que a completam a opulência e a beleza da lavoura naquela praia tão rica e tão encantadora.
Para o encanto maior daquelas bonitas paragens, revoadas de passarinhos enfeitam o ambiente, pousando nas árvores ou cruzando o espaço imensamente azul, numa festa de cores e gorjeios.

A CAPELINHA DE 1702
A tradicional igreja de Almofala, segundo “Cronologia Sobralense”, começou a ser construída em 1702, ano em que o padre José Borges de Novais veio ao Ceará Grande, como primeiro missionário dos índios Tremembé. A capela foi construída em honra de Nossa Sra da Conceição, nascendo aí a povoação de Almofala e Missão do Aracati-mirim.
O operoso sacerdote prosseguiu em seu trabalho de evangelização, mas somente dez anos depois, a 19 de outubro de 1712, procedeu ele a bênção e a inauguração do humilde templo, o qual consoante assevera a tradição, era feita de taipa e coberta de palha, de coqueiro, provavelmente.
Pelo menos foi essa data – XIX-X-XII – que o saudoso sacerdote poeta acarauense, Padre Antônio Tomás, em 1892, viu uma inscrição gravada na pedra de uma das portadas internas, perfeitamente visível.

RECONSTRUÇÃO DA CAPELA
Presumivelmente, nove lustros mais tarde foi essa igrejinha reconstruída de alvenaria. Entretanto, parece que o arquiteto que a reedificando gravou na portada mencionada pelo Pe. Antônio Tomás, não a data do término dessa reconstrução, mas o dia inaugural da primitiva capelinha de taipa do Pe. Novais.
O Arguto e paciente historiador Antônio Bezerra, que ali esteve em 1884, assim se expressa sobre o formoso templo setentista: ” No meio do espaço compreendido entre as duas ruas, do lado leste, fica a igrejinha, um mimo de arquitetura, que a Rainha de Portugal, D. Maria I, mandou edificar, para os Índios Tremembé. É diferente de todas que se encontram na Província, no gosto e na construção. Quem a visita não pode deixar de reconhecer em tudo o cunho das obras dos Jesuítas; sua perspectiva lembra os velhos templos de Portugal”.
O desembargador Álvaro de Alencar, renomado historiador cearense confirmando Antônio Bezerra, alude à Almofala e sua igreja da seguinte maneira:
“Ao lado fica a igrejinha, bela arquitetura que a Rainha D. Maria I, de Portugal, mandou edificar para os índios Tremembé. É diferente de todas as outras do Ceará”.
Todavia, não obstante essas afirmativas de que a linda capela de Nossa Sra. da Conceição de Almofala foi construída por determinação de D. Maria I, de Portugal, o Pe Antônio Tomás, autor de um substancioso e aprimorado estudo sobre aquela povoação e sua vetusta igrejinha, “inclina-se a aceitar a tradição legada por alguns velhos moradores do povoado, aos seus descendentes, de haver sido ela construída a expensas da irmandade de N. S. da Conceição, anteriormente ali ereta sob os auspícios dos padres que então dirigiram aquela missão”.

O poeta José Alcides Pinto corrobora:
“Mas se sabe contudo,
Que seu material
Veio da Bahia
Por via naval.

E que aqui chegando
Seguia depois
Para o lugar da obra
em carros-de-bois”.

Costa que o forro da capela, bem como o piso da nave central eram de cedro, vindo igualmente da Bahia.entre esses matérias figuram as telhas de 80 cm de comprimento, que se quebraram quase todas, quando o teto desmoronou, e os tijolos que ainda lá estão, pesando 8 a 9 quilos cada um.
Tomando-se por base a informação dom saudoso historiador cearense, de que os matérias empregados na edificação da igrejinha, foram transportados nos barcos que aqui vinham carregados de carne-seca, a mesma deve ter sido levantada na segunda metade do séc XVII, porque as indústrias das charqueadas, no município de Acaraú, teve inicio em 1745, e durou exatamente meia centúria, uma vez que foi extinta quando veio a chamada seca-grande – 1790-1793 – talvez a mais terrível calamidade climatérica que atingiu o Ceará, em todos os tempos.
Aludida seca dizimou os rebanhos, destruiu a lavoura, matou muita gente de fome, abalou profundamente a economia cearense e acabou consequentemente, a indústria da carne-seca.

Escrito por alemulato às 15h26
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A DUNA INVASORA
Todavia, 1897, a leste da capela, uma duna de enormes proporções começou a ser desmontada, pelos ventos marinhos, arremessando, de mansinho, para as casa vizinhas, uma areia fina que penetrava incessantemente, pelo teto, pelas frinchas das portas, por toda parte.
Em principio do ano de 1898, quando Pe Antônio Tomás, então Vigário da Paróquia de Acaraú, foi visitar aquela igrejinha, como bimestralmente o fazia, o morro em referencia já tinha invadido algumas residências, e aproximava-se do templo.
O zeloso sacerdote apressou-se, então, em dar conhecimento do fato a Dom Joaquim José Vieira, então Bispo da Diocese do Ceará, adiantando que a integridade do prédio sagrado estava em sério perigo, e o problema se apresentava sem solução possível.
Na verdade, será sempre um ato de quase loucura o homem tentar impedir a ação da força cega dos elementos.

A CAPELA SOTERRADA
Efetivamente, a natureza prosseguiu em sua sinistra empreitada; aos açoites do alísio vigoroso, persistente, inexorável, aluviões de areia salina, dia e noite, iam caindo sobre a capela e sobre o povoado, com força de catástrofe, com aparato de fatalidade, lançando a tristeza, o assombro e o desalento sobre a comunidade indefesa.
E aquele pugilo de cristãos humildes e bons, acompanhou, desolado e compungido, a agonia de sua querida capela que, pouco a pouco, ia submergindo naquele oceano de areia tangida ao impulso implacável dos ventos marinhos. O povo estava realmente assombrado, porque aquilo era, de fato, uma calamidade abracadabrante, pavorosa e humanamente inevitável.
E dentro de pouco tempo, várias casas haviam sido soterradas; e da artística igrejinha restava de fora apenas “a cruz de ferro da torre sineira, como espetada no cocuruto da duna vencedora”, disse Gustavo Barroso. E como que pedindo aos céus a exumação de templo sagrado, dizemos nós.
O culto e exímio poeta acarauense Rodrigues de Andrade, que visitou Almofala naquela época, publicou no “Jornal do Ceará”, em 190, estes magníficos sonetos:

I

“Em frente a igreja de antiquado estilo,
Mas de elegante e sólida fachada,
Os casebres se alinham de um pugilo
De Tremembé e gente mestiçada.

Esgalha em torno a víride ramada
Do cajueiral, farto e seguro asilo
Das aves quando a ventania irada
No coqueiral desfere alto sibilo.

Perto um regato murmuro colêa,
Longe um lençol de movediça areia
Que o mar sacode, caminhando vem.

Ali, na sombra da ramagem fresca,
Vive esta gente aos reditos da pesca,
Feliz no Samba e às areias do Torém”.
II

“Soluça o mar embravecido perto,
Jogando a areia que raivoso arranca
Do rio, o mar tão calmo outrora; certo
Algum pesar o coração lhe tranca.

E o vento insufla tanto a areia branca,
Que hoje esta praia é um inóspito deserto
Onde o viajante nem a sede estanca;
Agora tudo desse areial coberto.

Somente a aldeia, o coqueiral, a igreja,
(e há quem no fato algum milagre veja)
Pois tudo acaba, mas a igreja não;
Que a duna passa, o vento escava a ogiva
E a torre exsurge para os céus altiva,
Como estranho sinal de exclamação”.

A vida para aquela desventurada gente foi decorrendo, então, entre a angústia e a desesperança. O futuro se lhe apresentava escuro e funesto.
Mas, apesar daquela deplorável situação, ao que nos consta, nenhuma família dali se retirou definitivamente. Aqueles que fugiram “para longínquas paragens, a cata de novos abrigos”, vez por outra ali voltavam, trazidos pela saudade, para rever o querido local onde acontecera a mais estranha tragédia geológica de que há memória nos anais da terra brasileira.
O amor do povo almofalense ao seu torrão nativo foi mais forte do que a incerteza daquele aziago porvir.

Escrito por alemulato às 15h23
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O MILAGRE 45 ANOS DEPOIS
Entretanto em 1941, a duna começou a ser retirada do povoado e da vetusta capela, em rumo do Oeste.
Tão sorrateira e insistente como viera, a areia fina e salgada ia deixando a localidade onde permanecera por mais de quatro decênios, ao sopro constante das correntes eólicas.
Havia muita gente que rezava alto, chorando de alegria, ao ver a areia subir, em rodopios, tomando novos rumos, ao sabor do vento.
E, como por prodígio do céu, decorridos 45 anos, isto é, no ano da graça de 1943, o grande morro arenoso dali havia se mudado, impelido pelo mesmo vento que o trouxera, obedecendo a “ lei misteriosa e caprichosa que rege a marcha das areias no litoral cearense”.
A histórica igrejinha ali estava, firme e bela, porque sua sólida estrutura resistira admiravelmente á ação do tempo e ao peso da areia praieira que a sepultura durante nove lustros.
Apenas o que era de madeira se tinha estragado e o que era de ferro havia sido comido pela ferrugem. O velho sino de bronze, depois de quase meio século de silêncio forçado, voltou a fazer ouvir sua voz solene e grave, chamando os fiéis para as cerimônias do culto cristão. Ao mesmo tempo as casas que tinham sido soterradas começavam a ser restauradas.

OS TREMEMBÉ

Extremando com os Anacés, para além do rio Mundaú, viviam os Tremembé, gentios que muito se distinguiram também por suas ações hostis aos brancos.
Povo nômade em perpetuo deslocamento, o território que senhoreavam ia até às margens do Parnaíba, segundo uns, ou até a foz do Iguaçu , segundo outros.
Em profundidade, suas terras, abrangendo a vasta ribeira do Acaraú, chegavam à Serra Grande.
Como variante desse topônimo, surgem as formas Teremembé, Taramembé, Tramaambé, etc.
Aldeados em fins do século XVII, pelos Jesuítas, perto de Camocim (Theberge) e nas praias Lençóis, Tutóia do Gentio,passaram, em 1702, para as margens do Aracati-mirim, no município de Acaraú. Foi, aí, seu primeiro missionário o Pe Borges de Novais, que, tendo iniciado os trabalhos apostólicos em 1702, faleceu a 2 de dezembro de 1721.
Como sucedera por toda a parte, e em igual circunstancia, os recém chegados não se adaptaram bem ao novo meio, fugindo uns para os Tabuleiros do Litoral e desertando outros para a vizinha Capitania do Maranhão.
Sobre índole turbulenta desses índios, que viviam de preferência à beira do mar, que era “a mais poderosa tribo do Ceará, que punha em perigo os próprios navios que ali passavam de Portugal para o Maranhão”, segundo o biologista acarauense, José Jarbas Studart Gurgel.

“Os Tremembé era hábeis nadadores; arremetiam a nado os tubarões, e com um pau agudo que lhes encaixavam na goela adentro, os traziam a terra e tiravam deles os dentes para flechas”.
Paulino Nogueira, historiador.

“Eram esse índios exímios pescadores marinhos e de robusta constituição, perlongando em toscas jangadas as praias, sem delas nunca se afastarem; e que eram realmente temíveis”.
Pompeu Sobrinho

“Valentes, corpulentos e temíveis, que não se deixavam domar facilmente”.

Raimundo Girão, escritor.

É certo também que esses bugres nutriam manifesta aversão aos luso-brasileiros.
Tanto isto é verdade, que o Forte de Nossa Senhora do Rosário, construído por Jerônimo de Albuquerque, em 1613, na enseada de Jericoacoara, para possibilitar ou facilitar a conquista do Maranhão, foi, mais de uma vez, atacado por esses gentios brigões.
E em denuncia formulada a El- Rei de Portugal, em carta datada de abril de 1663, Ruy Vaz de Siqueira informou que um barco português se dirigia a Camocim, para abastecer-se de água, e os Tremembé apoderaram-se dele e mataram toda a sua tripulação.

SUAS ARMAS
Com alusão às armas usadas por esses índios, afora o arco, a flecha, a clava, etc., eles empregavam também o machado-âncora.

“Os Tremembé tinham o hábito de, no primeiro dia do novilúnio, todos os meses, ficarem vigies a noite toda fazendo estes machados, não cessando enquanto não estivessem perfeitos. Alimentavam a superstição de que, levando tais machados à guerra, não seriam vencidos, antes arrebatariam aos inimigos a vitória. Enquanto faziam esses machados, as mulheres, moças e crianças ficavam de fora dos oiupoés, dançando e cantando sob a égide do crescente”.

Osvaldo de Oliveira Riedel

UNIÃO DOS ÍNDIOS
Referindo-se à união e à solidariedade dos indígenas dentro de suas tribos, assegura a escritora Lúcia Magalhães, que “nenhuma coisa própria tem que não seja comum, e o que tem há de partir com os outros, principalmente se são coisas de comer, das quais nenhuma guardam para o outro dia; nem cuida de entesourar riqueza”.
Igualmente, segundo reza a tradição oral, os Tremembé de Almofala, não obstante sua inclinação hereditária para a desordem e pra o motim, mantinham uma boa convivência no selo da maloca; reinava ali um autentico exemplo de unidade fraterna. Terra, taba ou outros bens quaisquer pertenciam a todos em comum.
“Esta idéia está clara e viva na alma do índio e ele compreende a propriedade comum como coisas inteiriça da qual porção alguma pode pertencer a um indivíduo só”.
Von Martius

Profundamente religiosos, os Tremembé ajudavam sempre, com manifesta boa vontade, nos preparativos da festa anual de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira da Legendária capelinha.

ODE AOS TREMEMBÉ

“Os Tremembé, meus índios misteriosos.
Das plagas de Almofala orgulhosos,
Onde dançavam mágico o Torém.
Meus Tremembé da terra acarauense,
De vós se orgulha o povo cearense
Pois mais que vós pujança ninguém tem.”

“A igreja que deixastes está intacta
Naquela aldeiazinha tão pacata
Onde a saudade apenas ali medra…
As montanhas de areia a perseguiram,
Mas mesmo assim jamais a destruíram,
Pois a fizestes linda, tosca em pedra.”

“A herança cultural da vossa raça
Ainda hoje na Almofala traça
Vestígios do folclore verdadeiro,
E nós pesquisadores lá corremos
E sempre moradia por lá temos
Daquele povo bom e hospitaleiro.”

Silva Novo

Escrito por alemulato às 15h20
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LENDAS
Como é sabido, a escultura da Virgem Aparecida, Padroeira do Brasil, que em 1717 foi encontrada por três pescadores, nas águas do Rio Paraíba, em São Paulo, é feita de cerâmica, de cor castanho escuro, e mede 39 cm.
Pois bem: uma das lendas que existia entre os Tremembé, e que seus descendentes ainda acreditam, é que uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Almofala, também foi encontrada na praia, por índios daquela tribo, que estavam pescando, e que ficaram maravilhados. Um deles guardou a pequena escultura em sua oca, com cuidado e veneração.
No dia seguinte, porem, a santinha havia desaparecido. E depois de um dia de buscas, foram encontrá-la, de pé, na areia de Almofala, a meio quilômetro do mar. Nunca se soube quem ali a pusera.
Os índios viram na estranha ocorrência uma intervenção do Além; fizeram ali mesmo uma palhoça sobre a pequena imagem que passaram a venerar.
E quando o Pe. José Borges de Novais, auxiliado pelos mesmos indígenas, construiu, de taipa, a primeira capelinha, o fez no mesmo local onde a imagem fora achada, exatamente onde hoje se ergue o vetusto e pitoresco templo consagrado à Nossa Senhora da Conceição de Almofala, e tão frequentemente visitado por gente de perto e gente de longe.

O GUAJARÁ
Uma das principais lendas daqueles gentios era a do Guajará, uma espécie de fantasma travesso. Aparecia sempre inopinadamente; ou mesmo nem aparecia; era apenas uma sombra. Aliás, dizem que ainda aparece.

“O Guajará de Almofala apresenta certa semelhança com o Saci e com o Caipora, duendes dos matos, apreciando-se, sobretudo, o espírito travesso, buliçoso, às vezes malévolo, que lhes orienta as atividades e os processos de assombramento”.
Florival Seraíne, folclorista.

“Guajará ente místico fantástico habitante dos mangues de Almofala e que se manifesta de várias maneiras: canta, assobia, imita o bode e outros animais, açoita os cães e também é chamado de Pai do Mangue ou Pajé do rio”.
José Alcides Pinto, escritor e poeta.

O professor Silva Novo ouviu da macróbia Tremembé Tia Chica, que “o Guajará mora nos mangues” e ela adiantou que certa ocasião estava pilando milho, quando sentiu a mão-de-pilão pesar-lhe entre as mãos. E uma sua neta chamada em socorro da índia velha apavorada, viu uma sombra de um enorme pássaro. Tia Chica jurava que esse pássaro era o Guajará, em uma de suas costumeiras traquinagens.

NAVIO FANTASMA

Dizem que, por várias vezes, têm visto, naquela praia, a altas horas da noite, um navio gigantesco, feericamente iluminado, numa visão realmente impressionante e deslumbrante.
Entretanto, ao tentar se aproximar alguém do navio fantasma, este desaparece misteriosamente, para, alguns minutos depois, reaparecer, já muito distante, em alto mar.

Escrito por alemulato às 15h18
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OBJETOS DE ORIGEM INDÍGENA CONFECCIONADOS DE PALHA DA CARNAUBEIRA
ARUPEMA
A Arupema é uma peça de formato redondo e é utilizada para penerar a goma e o milho.
Existem Arupemas em diversos tamanhos, umas com as maias (buracos) mais aberta e outras mais fechadas.
BOLSA DE PALHA
Feita também da palha de Carnaubeira, a Bolsa de Palha era muito utilizada para transportar produtos alimentícios e coisas diversas.
ABANADOR DE FOGO
De origem indígena, o Abanador de Fogo ainda é muito utilizado nas casas que possuem fogão a lenha.

SACA
Conhecida também como Surrão de Palha, a Saca é muito utilizada para armazenar a farinha de mandioca, goma para fazer tapioca e o milho.


CUIA
A Cuia é uma peça feita da Cabaça (fruto não comestível de uma planta rasteira de origem nordestina) partida ao meio que serve para retirar a farinha, a goma, a água… utilizada também como bacia.

URU
Confeccionado da palha de Carnaubeira, o Uru é utilizado para apanhar feijão e milho.
Numa fabricação menor o Uru serve também para guardar ovos e outras coisas.


PENICO FEITO DE BARRO

O Penico era um objeto muito utilizado pelas pessoas mais antigas da região de Itarema. Os Cabungos, assim também conhecidos eram fabricados em plástico, metal e até artesanalmente em barro.


O POTE DE BARRO E A AGUIDÁ

O Pote de Barro era muito utilizado para depositar água para beber e o Aluá (bebida feita de água, pão, cravo, canela e outras misturas).
Outro objeto de barro muito utilizado também era a Aguidá (uma espécie de bacia de barro) que servia para colocar alimentos, como a tapioca, o beiju, o peixe assado, etc.
Existem várias formas e tamanhos de Potes e Aguidás, todos eram construídos e utilizados pelos índios Tremembé, hoje ainda é possível encontrar Potes e Aguidás nas casas mais simples.


VASILHAMES DE LATA

O metal também era muito utilizado pelos artesões de Itarema. Eles faziam vasilhas de vários tamanhos usando latas de leite, óleo e outros.
Era comum ver lamparinas feitas de latas de leite em pó nas casas sem energia elétrica, que eram tantas há muitos anos atrás.

Fonte:www.omulato.zip.net

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